Outro dia, conversando com uma amiga, descobri que as cigarras, quando cantam, estão morrendo. Todos já escutamos, nos dias ensolarados, aquele ruído agônico e rouco de uma cigarra se despedindo de sua breve vida. Ah sim, pois as cigarras vivem apenas um dia, seu primeiro e último.
De repente, o canto cessa: é o fim.
Fiquei achando toda uma coisa tão bonita, tão simbólica, essa história. A brevidade da vida, o canto que a celebra ao mesmo passo em que lamenta o seu fim…
Pois é. Eis que numa dessas derradeiras noites de verão, estava eu em minha cama, sendo tomada pouco a pouco pelo torpor do sono, ingressando milagrosamente no universo dos sonhos, quando ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ!
E não, isso não sou eu dormindo gostoso, mas sim o famigerado grito da cigarra me impedindo de dormir! A bichinha cantava numa potência tamanha, que a única imagem digna de comparação que me vinha à cabeça era a do demo emocionado modulando na canção do South Park. (1m33s)
Daí pronto: encasquetei com a tal história da cigarra que canta e morre tals. Lembrei daquele samba bonito do João Nogueira e Paulo César Pinheiro, “Minha Missão”, cujo penúltimo verso relembra o triste fim do animal: “e a cigarra quando canta morre…”
Enfim, quanto mais eu torcia pra que a cigarra morresse de uma vez, passasse dessa pruma melhor e me deixasse dormir em paz, mais fui ficando com a pulga atrás da orelha. Algo me dizia que o bicho não tava nem perto de bater as botas, e que seria melhor não esperar sentada por esse momento. Conformada com mais uma noite insone, me levantei e fui pedir ajuda ao nosso querido pai dos burros: Wikipedia.
Qual não foi minha surpresa quando li que todo esse papo de que a cigarra quando canta morre não passa de história pra boi dormir, balela, lorota, mito mentiiiiiira???? Pra começar, quem canta são as cigarras-macho. E adivinha pra quê? Se você pensou que eles cantam pra chamar as fêmeas, num convite a uma bela fornicada, acertou, sabichão! Ah, mas agora é que tudo faz sentido.
Quer dizer então que enquanto eu tentava dormir o Seu Cigarra tava querendo mandar ver com qualquer sirigaita bem na minha janela.
E tem mais: as cigarras não vivem um só dia coisíssima nenhuma. Elas gozam de até 14 anos de muita cantoria e bundalelê.
Taí, a vida como ela é: Esopo tava certo, as cigarras são mesmo umas baita bon vivants. Esses gregos sabiam mesmo de tudo.
E, diferente do João Nogueira, elas não vivem pra cantar e cantam pra viver. O caso delas ta mais pra canto pra trepar e trepo pra viver.
Aí, como já alertou Chico Buarque, o canto não passa de um piropo.
Isso sim que é marketing pessoal.







Estréia decepcionante…
Ok. Mentira. 1º de abril.
dã. quase chorei.
Não suza, quando ela canta ela morre sim. Ela vive decadas em forma de ninfa, sem aparelho reprodutor. Depois da ultima muda ela entra na fase adulta, canta, reproduz e morre. Se brincar ela nem se alimenta na fase adulta.
Foi a JuS que escreveu esse negocio
wooops… mau ai…
puta tema polêmico.
é que hoje é 1o de abril, eu posso falar o que eu quiser.
(ah, as cigarras comem sim na fase adulta. comem seiva de árvores. e elas também empesteiam os pés de café.)
No mundo animal a vida é fascinante. Os gatos, pelo olfato, conseguem perceber qualquer gata que estiver afim de trepar naquele momento – num raio de 5km! Imagine esta habilidade em seres humanos!
Como diria o poeta “No mundo animal ixeste muitcha putaria”
Fora a falta de credibilidade e compromisso com a verdade – que é coisa séria aqui nesse blog – o texto tá super gracioso. Adorei a estréia Djoudjou.