Cinema e Esporte

Em nome do bom senso e da humanidade, poucos nazistas podem ser admirados sem o menor remorso.

Em nome do bom senso e da humanidade, poucos nazistas podem ser admirados sem o menor remorso.

O cinema tem como tema recorrente o esporte e suas mais variadas modalidades. Eu não sou muito fã de esportes, mas sou bastante fã de cinema. Então, se eu falar merda, é consequência da minha longa vida sedentária (o que, por sua vez, é causa das minhas frequentes dores na lombar).

Se você pensar um pouco depois de se perguntar “por que vários filmes se passam num universo esportivo?”, a resposta logo vem formulada ao redor do fato de que cinema e esporte tem algo bastante em comum, que é toda essa coisa do movimento.

Ainda assim, alguns esportes são mais felizes que outros ao serem retratados cinematograficamente.

Um exemplo atual é um filme que se chama Wimbledon, o Jogo do Amor. Eu vi esse filme sofrível no avião e alguns trechos, posteriormente, na televisão, chegando à conclusão de que dois babacas separados por uma rede e quicando uma bolinha amarela pra lá e pra cá não gera boas mise-en-scenes.

É claro que meu exemplo entra na categoria “apelou, perdeu” porque Wimbledon, o jogo do Amor é um lixo em todos os aspectos, esportivos ou não. Mas, se você pensar bem, poucos cineastas se atreveram a fazer um filme em torno de uma quadra de tênis, fato que não é nada arbitrário.

Por outro lado, existe um esporte que já foi usado muitas vezes como tema de filmes, que é o boxe. O boxe é, primeiramente, uma luta, o que já é por si só algo delicioso de se decupar e, quando bem decupado, de se ver. Também tem aquele intervalinho, o técnico dando uma ordem simples e rápida para o lutador, ou seja, dramaturgicamente falando, propondo uma ação que o protagonista pode seguir ou não, sofrendo as consequências qualquer que seja sua decisão. Kurosawa já ensinou a gente que câmera lenta é tudo de bom, mas nem tudo tem a mesma graça quando visto devagarzinho. Um saque de tênis em slow-motion não tem a mesma centimetragem que um soco na fuça de um mano.

Existe também o universo para além do ringue, a personalidade de um lutador, a questão moral, as corrupções e a honra instaurada no mundo do boxe que, de novo, é bem mais interessante que a de um jogador de tênis.

Sem querer ofender os tenistas, mas como diria George Carlin “tênis é que nem pingue-pongue, só que com os jogadores em cima da mesa”.

Outros esportes, devido à sua popularidade, aparecem em inúmeros filmes. Beisebol, por exemplo, tem aquela filme com a Madonna, aquele com o Billy Bob Thorton, e aquele com o Kevin Costner e o negão que faz a voz do Darth Vader. Beisebol é um esporte idiota pra caralho, mais idiota que tênis e pingue-pongue, só perde mesmo pro golfe. Mas beisebol vende. Vai entender esses gringos.

E o futebol? Futebol é mó popular. E já virou filme várias vezes, ou, no mínimo, aparece em cena em determinado momento de um filme. Shaolin Soccer é uma delícia de se ver, mas Shaolin Soccer é uma mistura de futebol e kung-fu, então ele não pode ser usado como exemplo.

Os outros filmes com futebol (pelo menos todos que eu vi), são uma verdadeira merda. Rio 40 graus, um puta clássico, é completamente cagado nas cenas dos jogos de futebol. A impressão que dá é que nenhum diretor até agora encontrou a maneira certa de filmar essa porra.

E, realmente, filmar uma partida de futebol é uma idéia promissora mas, ao mesmo tempo, muito angustiante, porque você tenta imaginar um jeito legal de fazer o negócio e só vem na sua cabeça uns malditos planos de pézinho correndo e aqueles travelling ins meio babacas no cara prestes a bater falta.

Tem muita coisa rolando numa partida de futebol, num espaço enorme, ao contrário do boxe. Modalidades menos esportivas como uma partida de poquer ou de sinuca, são outras que não sofrem desse mal. O xadrez também, mas xadrez é aquela porra de jogo que só joga quem é nerd ou quem é russo, e que demora pra caralho.

Não vou nem começar a falar de volêi, porque francamente, e muito menos vou descorrer sobre coisas como ginástica olímpica, porque é bem foda filmar uma cena dessas e manter a graça da coisa com alguma pessoa que não seja, de fato, um ginasta. A não ser que você faça aquela montagem “rosto do ator empenhado” e “pernas do dublê se mexendo” o que, como Bazin já dizia, não pode.

Esses esportes que não é muito legal de ver ao vivo podem ser legais de ver no cinema, tipo surf, ou tipo aquele do trenózinho (Jamaica abaixo de Zero). Por que? Porque você coloca a câmera lá do lado da pessoa e parece que você tá curtindão aquele negócio todo com o atleta.

Concluindo, para não continuar me extendendo no assunto, se você for fazer um filme esportivo, prefira os individuais, em especial o boxe, que quase sempre dá certo. A exceção é o tênis e, claro, o golfe, que é um esporte pra quem consegue ser, ao mesmo tempo, rico e retardado. Esportes coletivos são perigosos e, se você quiser não se arriscar nada, filme uma partida de pôquer em que o protagonista dá all in e ganha no final com uma quadra de reis contra uma quadra de damas do adversário (isso já me aconteceu na vida real!).

De resto, eu queria dizer que eu tenho muita vontade de matar aquele cachorro que joga basquete, ao mesmo tempo que dizer isso me deixa com um peso na consciência porque esse cachorro já está, de fato, bem morto.

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