Guitar Hero

Rock Legend!

You are a Rock Legend!

Hoje eu terminei Guitar Hero III, no nível mais difícil de todos, o expert.

Mexer nessa guitarrinha de plástico com maestria é o tipo de habilidade que traz tanto desgosto num ser humano quanto um contorcionista que consegue lamber o próprio cu.

O que me faz pensar no quanto eu gasto meu tempo treinando coisas que não me levam a nada. Tipo origami. Puta coisa idiota.

Eu lembro da vez quando eu era pequeno e eu tentei copiar meu tio, ele tinha aquela mania de ficar girando o palito de dente dentro da boca, com a língua. Eu lembro do palito espetando na minha boca e a minha mandíbula travada, já que eu não conseguia empurrar o palito pra fora (senão ele entrava mais na carne) nem pra dentro, com medo de acabar engolindo aquela merda. “Bem feito”, me disse Deus naquele dia.

Outra vez, numa viagem, eu fiz um castelo de cartas que precisou de 3 baralhos inteiros para ficar pronto. Foi uma madrugada inteira fazendo isso, ou seja, naquele horário em que uma pessoa normal ou está dormindo, ou está trepando.

A parte mais idiota de fazer um castelo de cartas é que o babaca que tá viajando com você chega de manhã, dá um soprão e derruba tudo no chão. E isso antes de eu ao menos tirar uma fotinho.

Sabe aquele bebê que vê que fez cocô na fralda e fica cutucando a troça? No fundo, eu acho que o prazer é o mesmo. Afinal, são coisas que eu produzi: o castelo de baralho, o maldito origami, a merda do Guitar Hero III. Ninguém se incomoda com o cheiro do próprio cocô, mas também não espera que os outros gostem. De vez em quando, a gente produz coisas utéis na vida, e muitas delas acabam sendo chamadas de arte. Não “arte” como em “meu bebê só faz arte, fica enfiando o dedo no cocô”, mas arte como “Hamlet é uma obra de arte”. As vezes as pessoas exageram e dizem: “Meu, o Alex Atala faz arte com a panela”. Não, o Alex Atala não faz arte, ele faz comida.

Estou longe de fazer meu Hamlet, mas já fiz meu Guitar Hero III. Ninguém estava aqui pra ver e, mesmo se estivesse, não ia fazer diferença nenhuma. Ninguém conseguiria admirar meu feito e, sinceramente, nem eu mesmo consegui direito. Afinal, como vocês já perceberam, eu estou falando de Guitar Hero III. Não de Hamlet.

É verdade que teve uma vez que um amigo meu me viu jogando Guitar Hero e disse: “nossa, é mó difícil jogar isso”.

É, só é menos difícil que tocar uma guitarra de verdade.

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One Response to Guitar Hero

  1. Raul Arthuso disse:

    Grande merda, Suza! Parabéns pelo GH III!!!

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