Derren Brown (ou O Espetáculo não Acabou)

Derren Brown é o capeta vestido de gente comum. O barato do cara é mexer com a mente das pessoas e ele consegue fazer coisas impressionantes quando quer, do tipo convencê-lo de entregar a carteira a um estranho, esquecer-se da estação de metrô que você vai descer, desafiar nove jogadores de xadrez e adivinhar quantas peças sobraria nos tabuleiros ao final do jogo.

Ontem, ele fez o que considero até agora o maior truque de todos os tempos: ele  adivinhou os números da loteria ao vivo. O significado está muito além do impacto do truque, mas também como isso mostra o ponto alto de uma mudança no que o “mundo dos mágicos” tem de mais interessante hoje.

Mágicos existem há muito tempo e ficaram muito famosos de uns anos pra cá, principalmente por causa do caráter grandioso dos truques que começaram a desenvolver. David Copperfield virou referência nessa época: ele voava, contava histórias mirabolantes enquanto sumia com uma manada de elefantes e, depois, voava mais um pouquinho. Se você pensar bem, ele era muito, muito brega com suas levitações e mullets.

Até que os caras perceberam que o negócio era fazer truqes um pouco mais simples que tivessem impacto imediato. Voltamos às cartas, só que agora, o cara assinava a carta, rasgava, esquartejava, queimava na fogueira, moía as cinzas, jogava tudo fora e, de repente, a carta assinada aparecia inteira dentro de uma laranja ou de uma bola de basquete. O gênio do baralho é o David Blaine, que teve a brilhante idéia de sair do palco e ir pro meio da rua, um ponto de virada do espetáculo. Blaine fazia as coisas mais impressionantes na calçada usando a garrafa de long neck de um cara qualquer, fazendo a carta escolhida aparecer do outro lado da vitrine de uma loja e coisa assim. O espetáculo foi pro dia-a-dia, pras ruas, pros becos.

Até que chegamos em Derren Brown (porque todos esses caras tem nome iniciado com “d”?). Seus truques não tem nada de ilusionismo, nada de mãos rápidas, ou cartolas, ou cartas, ou levitação, ou caralhos que o partam de música clássica. Tudo o que ele faz é mexer com a mente das pessoas através dos números. Simples e corriqueiro. Gente como a gente. Derren Brown está para os mágicos como Superbad está para os filmes de adolescentes. É mais divertido e verdadeiro porque parece humano, por mais que seja tudo um espetáculo.

Segundo o Guinness Book of Record, o maior truque ilusionista de todos os tempos é o desaparecimento da Estátua da Liberdade por David Copperfield em 1983. Pelo Tomus of Nice Marvelous Mindfucks, esse é truque é nota 5.  Agora, meu, Derren Brown adivinhou os números da loteria! Isso sim é que é nota 10!

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