Capeta em forma de guri

Passa esse microfone pra cá que eu sou fodido da cabeça!

Passa esse microfone pra cá que eu sou fodido da cabeça!

Kanye West, o louco adorável do rap, disse outro dia que ele é o novo Rei do Pop.

Existem, vejam só, muita semelhanças entre ele e o finado detentor do título Michael Jackson. Entre elas, o ego uber-inflado e uma mente que é ao mesmo tempo talentosa e infantil.

Quanto ao talento, a comparação de Kanye com Michael é ridícula, é quase como Maguila lutando com Evander Hollyfield, só que bem pior porque o Michael Jackson não é apenas mil vezes mais talentoso que o rapper, ele é a melhor coisa que já aconteceu na música pop. Melhor que o gordo do Elvis Presley e certamente melhor que a vaca metida da Madonna.

Já em relação ao déficit de coeficiente emocional, Kanye não é nenhum pedófilo navalhado por uma equipe de cirurgiões plásticos, mas vê-se logo, no conteúdo de suas músicas e nas suas atitudes extravagantes, que existe uma criança chata e mimada guiando a mente do artista.

Em Michael, víamos obra-primas como Thriller, cuja letra falava em monstros de armário, ou Bad e Beat It, que descrevia de maneira fantasiosa e ingênua o submundo das gangues e do homem temido. Já em Kanye, uma série de discos que tem como cenário musical o colégio, a formatura e a entrada na faculdade seguem a mesma via de uma pessoa que esqueceu de criar pentelhos no cérebro. As inquietações tanto de um como de outro estão atreladas a um universo infantil, imaginário e, por isso mesmo, bastante lúdico.

Kanye West já fez muita cagada na vida, descontrolado por sua risível psiquê. Algumas vêm para o bem, como no dia em que ele, durante a transmissão de um programa feito para ajudar as vítimas do furacão Katrina, disse que o então presidente George Bush “não ligava para os negros”. Vai Kanye, bota na bunda daquele texano retardado!

Essa semana, por outro lado, Kanye cometeu um papelão ao foder o discurso de agradecimento da cantora Taylor Swift (que até então eu nunca tinha visto mais gorda), durante a cerimônia de premiação do VMA (Video Music Awards). Todo mundo logo fez um puta alarde em torno dessa atitude completamente irrelevante para o mundo, irrelevante porque é uma porra de uma qualquer ganhando um prêmio bastante inútil. É como se a Ivete Sangalo, bêbada de tanto tomar sangria, tivesse subido no palco do Troféu Imprensa e mandado o melhor apresentador do ano Otávio Mesquita à merda. Eu sei, uma imagem toda polêmica e engraçada, mas tão desimportante quanto.

Os americanos, esse povo cabaço, já começaram a associar o mico com questões raciais: seria o Kanye West um racista? Aham, aproveita e enforca o filho da puta, afinal, ele está perpetuando séculos e séculos de repressão social pelas quais os brancos americanos passaram no decorrer da História, não é mesmo?

Fico triste pela Taylor Swift, ela tem cara de ser uma boa menina, mas, para a infelicidade de muitos, a carreira de Kanye West não acaba com essa gafe, assim como a de Hugh Grant, que foi foder uma prostituta purulenta no carro enquanto sua mulher o aguardava de calcinha e sutiã em sua casa, também não acabou.

Existe uma maquinária complicada e um sofisticado metier por trás da indústria do entretenimento dos EUA. Kanye West, talentoso homem, conhece ela como poucos da sua geração. Ele vai dar a volta por cima e, quem sabe, usar o acontecimento como propulsor de sua carreira. Já a Taylor Swift, que foi imediatamente convocada para uma série de entrevistas na televisão, está mais famosa do que nunca.

É uma daquelas situações que não existem perdedores, e eu adoro quando isso acontece. O mundo, por mais dialético que seja, não é feito de rivalidades ignóbeis.

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