24 Horas

Isso é de fato uma série que se preze?

Isso é de fato uma série que se preze?

Acabei de assistir a primeira temporada de uma das mais badaladas séries da TV americana dos últimos tempos: 24 Horas (hoje já terminando seu sétimo ano). O susposto diferencial dela é que são 24 episódios de uma hora cada que contam a história de um dia na vida do agente federal Jack Bauer. Nesta temporada, Bauer tenta evitar o assassinato do senador David Palmer, candidato à presidência da República. E o que tem de especial nisso tudo para que a série se tornasse um fenômeno? Nada. Absolutamente nada.

Os personagens são os mesmos que encontra-se em qualquer filme de ação ou séries policiais ao redor do mundo: o herói que pode tudo, o traidor, a mulher que sempre coloca o protagonista em perigo, o vilão vingativo, equipamentos modernos, armas, tiros, bandidos europeus. Os roteiros são tão automáticos que tem momentos em que você quer abandonar a série, mesmo, porque tudo é tão inocente, tão empoeirado e sem criatividade, principalmente em tempos de Lost.

As únicas duas coisas que se salvam são a questão do candidato com seus financiadores de campanha, algo que toca diretamente no sistema de eleição de qualquer democracia que se baseia no modelo americano, e a montagem que de fato faz milagre em manter o suspense ao longo da série. A edição tenta aliviar a grande dependência da série em usar o esquema de pistas falsas, cansativo e muito, muito irritante lá pelo episódio 15.

O pior é que 24 Horas é apenas a ponta do iceberg de uma produção recente de séries que parece esgotada. Primeiro pelo “evento Lost”, segundo pela mudança na produção e formato das séries.

É impensavel fazer várias temporadas de um programa seriado com 24 episódios em cada ano. A tendência após o sucesso de Família Soprano (e outras séries da HBO como Deadwood) é fazer menos episódios, entre 10 e 15 por temporada. Ainda mais se levarmos em conta que as séries da BBC tiveram seu acesso mais facilitado com a internet e estas são feitas com apenas 6 episódios por temporada, o que permite um melhor acabamento de cada episódios (graças a um trabalho de pré-produção e filmagem mais calmos e, por isso, bem planejados).

Fora isso, não dá mais para aguentar 10 temporadas de um programa, tipo E.R. ou Friends. As séries acabam por desgaste ao invés de finalizarem mesmo seus arcos dramáticos. Nisso também Lost e Família Soprano são pioneiros nos EUA com menos temporadas. A HBO está seguindo esta linha de fazer séries grandes com menos episódios e menos temporadas: Roma teve duas temporadas, Deadwood três. É preciso, também, experimentar outros formatos, como Tim and Eric Awesome Show, Great Job!, In Treatment, Look Around You.

Mas tem o principal e aí está o calcanhar de Aquiles da maioria das séries: elas são uma bosta! Grey’s Anatomy, Desperate Housewives, The Big Bang Theory, Fringe, The 4400, Supernatural, Medium, Psych, Smallville… Tudo isso está ultrapassado, são meros espetáculos televisivos que se sustentam porque atingem nichos de mercado, agradam pessoas que querem se sentir “descoladas”, “diferentes” ou “espertas” (Desperates Housewives principalmente), mas no fim das contas são tão contundentes quanto pau de velho gripado.

Neste time está 24 Horas. No time do bem está Lost, House, Sopranos, Deadwood. São nessas que moram a criatividade. E as outras? Bem, enquanto ainda os “descolados” adoradores da Sony continuarem a propagar a estupidez dessas séries (leia-se “twittar #sérieidiotadasuapreferência”) elas continuarão na grade da TV. Enquanto isso, por que não re-assistimos Família Soprano?

Isso sim é que é seriado de verdade!

Isso sim é que é seriado de verdade!

Anúncios

3 Responses to 24 Horas

  1. Nina disse:

    24 horas… Um dia perdido na minha vida.
    Se bem que gostei muito do segundo final da temporada, quando morre —-Brincadeirinha. Não vou contar. Ainda mais que depois desse post inspirador do Raul, tenho certeza que todo mundo tá querendo ver e eu não posso estragar o final.
    Enfim. É isso aí Raul. A montagem é boa.

  2. Bruno Suzuki disse:

    Cara, achei esse post um tanto quanto anacrônico. Fica fácil chutar cachorro morto (ou o Bauer ainda vivo) depois que você sabe que ele ainda está defendendo a America após 7 temporadas. 24 Horas surgiu antes de Lost e chamou muita atenção de público e crítica nas primeiras 2 temporadas. Pra mim, foi uma puta revolução nas séries de ação: a idéia do “real time”, os ganchos, a fotografia, a edição. Dá pra mensurar o impacto da série se você observar tamanho o grau de “contaminação” que 24 gerou na publicidade, no estilo pseudo-câmera-na-mão, discussões sobre a fotografia na “American Cinematographer” e, o mais importante, os Simpsons 24h. Obviamente, com o enorme sucesso da série, a Fox resolveu alongar a série ad infinitum… E isso fez com que o Bauer se transformasse no mais invencível herói de todos os tempos (não estou contando os mutantes). Mas é isso… 24 Horas é chato mas já foi legal pra caralho! Isso porque eu nem falei da Kim Bauer.. ai ai ai…
    PS: sabe como vai se chamar o box com as 7 temporadas de 24h? ONE WHOLE FUCKING WEEK!

  3. Raul Arthuso disse:

    Não sei se o real time é tão revolucionário assim e, sei lá, não estou criticando as outras seis temporadas porque eu não si. Só vi a primeira e me pareceu ruim, mesmo para um padrão de sete anos atrás (não se esqueça que Sopranos é mais antiga que 24 Horas; House e Lost surgiram durante o segundo ano de 24 Horas).

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: