Maradona: Fica a Dica!

Diego Maradona

Maradona pode ir de herói a vilão na próxima quarta-feira. O maior ídolo do futebol argentino está no comando da seleção de seu país com a corda no pescoço nas eliminatórias para a Copa do Mundo da África do Sul. A culpa não é inteiramente de Maradona, mas ele não pode se esquivar do problema.

A primeira coisa que se deve levar em conta é que Maradona não é técnico. Dunga também não era, mas deu certo porque fez e faz o básico com racionalidade. Não mudou o estilo do time nem quando as críticas eram mais ferrenhas. Com isso, manteve um trabalho que ainda longe do ideal, mas eficiente, vencedor.

Maradona não sabe o que faz. Só para comparar, em 48 jogos como técnico, Dunga convocou 81 jogadores. Já o técnico argentino, em 11 jogos, convocou 78 nomes diferentes. Não há padrão de tático, o time não tem um “cardápio” de jogadas ensaiadas e parece cada vez menos capaz de sair do buraco que se meteu, pois Maradona não consegue melhorar jogo a jogo. O número de renovações de convocados pode explicar parte do problema.

A Argentina tem jogado assim, num sistema 1-1-3-1-4-1

A Argentina tem jogado assim, num sistema 1-1-3-1-4-1

Confia-se muito em Messi, mas o craque não brilha num time completamente desorganizado. E isso é culpa de Maradona que, além de não ser técnico, dispensou aquele que poderia, junto com o atacante do Barcelona, fazer a diferença e preocupar os adversários: Riquelme. No jogo contra o Brasil, a Argentina jogou muito na intermediária brasileira e procurou muito por Messi, mas não teve penetração na área. Deu pouco trabalho e tomou muitos contra-ataques, especialidade do time de Dunga. Outro grande problema é que Messi pode ser o craque, mas funciona melhor com uma referência na área para preocupar os zagueiros: no Barcelona essa função era de Eto’o, agora é de Ibrahimovic. Contudo, o Barcelona joga com três atacantes; a Argentina joga com dois e nenhum deles é o clássico matador. Tevez e Messi são habilidosos e rápidos, porém não servem de referência na área. Sem ninguém para marcar dentro da área, Lúcio e Luizão tiveram vida fácil, já que um dos dois sempre ficava na sobra. O Brasil ganhou no meio de campo e matou o jogo nos contra-ataques no ritmo de Kaká.

Por isso minha dica para o técnico argentino: já que a seleção precisa vencer os dois jogos para não depender de ninguém – e ainda correrá o risco de ir para a repescagem contra uma seleção da CONCACAF – Maradona deve armar sua seleção como time pequeno, encher o meio de campo, botar um homem de referência na área e tentar livrar Messi da responsabilidade de decidir o jogo (e deixá-lo, como conseqüência natural, decidir o jogo).

Infelizmente, Maradona começou errado: insiste no fraco Heinze, convocou zagueiros com pouca experiência e pode sofrer na defesa por falta de consistência. Era hora de apostar na experiência de Walter Samuel, Cambiasso, Gago e, claro, Riquelme (principalmente que, contra o Peru, Verón está suspenso).

Como insiste em alguns jogadores duvidosos, vai ter que se virar. Maradona deveria armar o time com três zagueiros: Demichelis, Otamendi e Schiavi; encher o meio de campo com cinco jogadores: Mascherano, Di María, Lucho González, Federico Insúa (no segundo jogo volta Verón em seu lugar) e Mario Bolatti. Messi jogando na intermediária penetrando na área e Martín Palermo incomodando no meio da área. Será uma Argentina jogando feio (como agora), baseada talvez em vários cruzamentos na área (pelos pés de Lucho González), com problemas na defesa (como agora) e com dependência de Messi (como agora). A grande diferença está no faro de gol de Palermo e na maior liberdade que Messi pode ter sem a responsabilidade de ter que achar caminhos para o gol. O craque argentino poderá apenas atrair a marcação adversária e abrir a área para que outros jogadores marquem, um volante por exemplo. Além disso, tem a jogada aérea com Palermo. É uma Argentina com mais possibilidades do que mostrou nos últimos jogos.

Porém, ainda longe do ideal.

Essa é a escalação que deveria entrar em campo contra o Peru a partir dos convocados pelo Pibe

Essa é a escalação que deveria entrar em campo contra o Peru a partir dos convocados pelo Pibe

Se Maradona fosse técnico, essa seria a escalação para hoje

Se Maradona fosse técnico, essa seria a escalação para hoje

Eliminatórias Européias Parte 1

Esta rodada é a última também para as seleções na Europa. Holanda, Espanha e Inglaterra já estão classificadas. Eslováquia e Itália, muito perto. Quem corre risco de ficar fora ou ter de disputar a repescagem são seleções fortes nos últimos anos como Suécia, Portugal, França e Alemanha. Esta última é que menos provavelmente não se classificará.

Eliminatórias Européias Parte 2

O grande risco da rodada é Portugal ou Suécia ficarem fora. As duas estão no mesmo grupo em situação complicadas. Precisam vencer para não depender de ninguém. Quem tem que se dar mal, no caso, são Hungria e Dinamarca. Portanto, pode haver uma Copa sem Messi, Ibrahimovic ou Cristiano Ronaldo. E no fim do ano, um dos três pode ser o melhor jogador do mundo.

Eliminatórias CONCACAF

Sabe quem pode se dar mal com a crise hondurenha? A seleção de Honduras. Ela é a sensação dessas eliminatórias, está em terceiro lugar e, na penúltima rodada, jogará em casa com a tensão no país causada pelo golpe de Estado. Se ganhar os dois jogos que restam (o outro é fora) classifica-se direto para a Copa e será a alegria da nação. Se o peso da tensão do país cair nas costas dos jogadores, vai para a repescagem depois de chegar a liderar as eliminatórias. E aí pode trombar com a poderosa (ainda que fragilizada) Argentina.

Real

O Real Madrid neogalático perdeu a primeira, para o Sevilha. Mostrou muitas fragilidades: Kaká está muito sacrificado, jogando como ponta quase dentro da área, algo longe de sua característica; joga feio e depende muito das jogadas individuais de Cristiano Ronaldo; Marcelo não consegue marcar; o meio-campo não cria quando tem que furar a defesa. Já havia mostrado parte dos problemas contra o Olympique Marselle.  O Real tem muitos valores, mas ainda não é propriamente um time.

Ronaldinho

Ronaldinho Gaúcho olha para um lado e passa para o outro. O marcador, desconcertado, cai no chão. A torcida vibra. Quando o velho Ronaldinho voltará a nos brindar com o espetáculo de seu futebol?

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