Melhores capas do mundo [do meu iTunes]

Já que eu perco um montante razoável do meu tempo conjecturando sobre coisas inúteis das quais eu não entendo quase nada, por que então não escrever sobre elas, não? Estávamos eu e meus amigos em casa, durante horas, madrugada adentro, passando meu cover flow do iTunes – fantástico esse recurso + note o programa do sábado a noite –  e como nós desse blog, já que o mundo não é competitivo o bastante, temos um tesão especial em ranquear coisas, resolvi partilhar com o mundo meu ranking pessoal sobre capas de álbuns – e por álbuns, minha gente [informem-se] eu não quero dizer coletâneas.

Depois da série “capas”, virá o ranking “Grandes Álbuns, capas de merda”. Sugiram! É sempre revigorante chutar cachorro morto.

10 – Nevermind, Nirvana

olha o pinto do nenê!

Nivarna é uma crise. Era uma paixão pré-adolescente e depois eu reneguei com tarja de baboseira grunge dos anos noventa. Mas sabe que revisto agora depois de véia é meio bom e meio legal? Agora, independente da relação mal resolvida com Kurt Cobain essa capa é bem loka e fez uma geração.

09 –  Fragile, Yes

O artista plástico e designer inglês Roger Dean desenhou praticamente todas as capas da banda, e além de elas serem animais, têm muito a ver com a estética musical da banda. Mesmo para quem não gosta de “Yes”, sim, eu sei que sou uma das três pessoas do Brasil com menos de cinquenta anos que gosta (dois, onde estão vocês?) e menos ainda dessa onda progressiva-psicodélica-todahippie – credo, isso nem eu – consegue apreciar esse globinho peculiar que é a capa do “Fragile”, que gostem ou não, também é um belo disco virtuose com músicas como “the clap” e “roudabout”.

08- Never mind the Bollocks, Sex Pistols

Sex Pistols era praticamente uma boy band, fez um disco e desapareceu; e sabe o quê, eu nem gosto da banda. Mas os caras, como toda boa boy band, eram bons de marketing: as cores vivas e esse rosa com o nome da banda meio jogado de lado traduzem bem o rudimentar impactante do punk rock com toda uma identidade estética e, por outro lado, um despojamento.

07- Let it Bleed, Rolling Stones

Como quase todas as boas capas temos por trás bandas muito conscientes do que representam para seu público. Além do título do disco ser uma provocação ao álbum dos Beatles que todos sabiam que seria lançado em breve com o título “Let it Be” – ou seja, enquanto os Beatles e John Lennon diziam, “deixe ser” e falavam de Mother Mary os Rolling Stones diziam, “deixe que ferva!” –  a capa é metalinguística com o próprio disco nela dentro desse bolo de coisas que são os Rolling Stones. Esse é meu disco preferido deles. Ainda assim, o “Let it Be” dá um pau.

06  – Comin’ on, Chet Baker

mó mina gatinha!

Fala sério, essa capa é muito bonitinha. Bela escolha de cores. Fiz até uma camiseta de presente com ela estampada pro meu amigo Kim, acho que ele gostou (será, Kinzão?).

05 – Hot Butterd Soul, Isaac Hayes

Pele, pele, pele. Pele de negão. Essa é uma capa cheia de sensualidade do nosso Faraó do soul, que além de ser o primeiro negro a ganhar um Oscar em 1971 de melhor música para o filme “Shaft”, dublava (R.I.P) o Chef do South Park.

04 – Love Supreme, John Coltrane

A foto é tão enigmática quanto o disco e o grafismo em diagonal ascendente só dão a pincelada final de uma capa econômica e cheia de densidade. Mesmo pra quem não curte essa parada espiriual – onda em que entrou John Coltrane, transformou em linguagem nesse disco e criou até um secto de seguidores que inventou uma religião em seu nome  (tem doido pra tudo) – ascende com o je ne sais quoi desse disco tão intenso .  Fora a capa, é o meu disco preferido de todos os tempos.

03 – Verde que te rosa, Cartola

Meu, o que rola com esse nariz torrado?

Vamos combinar que os sambistas não são muito lá bons de capas – e por não muito bons eu quero dizer que são todas horrorosas – muito por que lá na favela não deve rolar um escambo de “in design”. Mas o Cartola se saiu mais do que bem nessa capinha singela que contempla muito bem sua personalidade.

02 –  London Calling, The clash

Essa capa é perfeita. As linhas, a luz da foto, as cores das letras, a mis-en-scène. Se eu entendesse alguma coisa de pintura falaria de ponto de fuga e dessas merdas mas como estou me arriscando a falar somente sobre coisas das quais não sei quase nada, vou apenas dizer que tô piradona nessa capa.

Ai, gozei.

01 – Hub-Tones, Freddie Hubbard

Bom, todos conhecem as capas da Blue note e devem imaginar que foi sofrido escolher apenas uma delas para essa listinha tão controversa.

Agora, essa capa é completa.

Em 1956 a Blue note contratou um artista gráfico chamado Reid Miles para fazer suas capas. A gravadora na época tinha pouquíssimos recursos e, portanto, podia-se usar apenas três cores na impressão das capas. Miles tinha em mãos três cores e um talentoso fotógrafo chamado Francis Wolff. A partir da falta de recursos o designer criou uma estética de fotos preto e brancas tingidas de uma cor e faixas em cima ou em baixo com o nome do disco e muitas vezes das músicas, quase sempre com a mesma tipografia. É uma mais fudida do que a outra. De tão boas, a TASCHEN até lançou uma compilação que está pra lá da minha alçada, mas que você pode encontrar em cima da mesa da sala de estar dos pais dos meus amigos da Zona Oeste e aproveitar para comer um canapé de tiras de pato selvagem com bolinho doce de tapioca frita.

Disvirtuei.

Sobre a capa: note que o nome do disco é “hub-tones” e que suas faixas pretas além de lembrarem os pistões do trompete de Freddie, remetem também à idéia de intervalo musical. A foto preto e branca tingida  de vermelho  está no pistão apertado. A grafia das letras também é mais do que acertada.

Eita capa bonita.

16 respostas para Melhores capas do mundo [do meu iTunes]

  1. Suza disse:

    Let it Be não “dá um pau” em Let it Bleed, sua beatlemaniaca xiita.

    • Raul Arthuso disse:

      Hoje saiu uma lista na qual o Let It Be ganhou como o disco mais superestimado de todos os tempos (na verdade é uma lista dos piores discos mais famosos do mundo, o que, nas entrelinhas, dá na mesma. Pense nisso.

      • Jasmin disse:

        Eu sei muito bem dessas listinhas – você acha que por um acaso seria válido se alguém por aí saísse dizendo que hoje saiu uma lista na qual “Hub-tones” é a melhor capa de disco do mundo? listas de top ten são arbitrárias e nem um pouco confiáveis. Pensa nisso.
        E o “Let it be’ não é um disco superstimado, é subestimado, ganhou duas estrelinhas naquele ranking de merda da folha. Todo mundo fala que é um disco menor dos Beatles e eu discordo.

  2. Nina disse:

    Eita mesmo!
    Finalmente uma lista que concordei do 10 ao 1, (quanto a parte das capas, claro. não quero entrar no mérito do gosto musical).

  3. Vini disse:

    Nossa Jasmin, você por aqui, que surpresa!

    Boas escolhas. A única pra mim que soa meio excêntrica é a do Chet Baker. Despojamento tem limite!

  4. Patricia Z disse:

    Jasmin,
    Hum… Não faz a que não entende do que fala gata !
    texto delícia, espero o proximo.
    bj
    P

  5. Caique Veloso disse:

    Jas, sabia que filho de peixe, peixinho é. Mostrou que sua preferência (pelo menos nas capas) são roqueiras. Beijo

  6. Arthur disse:

    Uma boa notícia e uma má notícia.
    A boa é que você postou alguma coisa, Jas.
    E a má é que você gosta de Yes.
    Tá doeno tudo agora. Acho que eu estou ficando cego.
    AIAI não sinto minhas perna

  7. lauradelrey disse:

    Jasmin! Hoje mesmo, no telefone, eu perguntava pro Vini se vc não postava, hehe! Boas e peculiares escolhas de capa, mas Yes (?!?!) nada justifica. Gosto muito, tb, das capas do Beck em geral. Como disco genial de capa medonha eu sugiro… vou pensar; fiquei na vontade. Beijo!

  8. Querida afilhada,

    nem te conhecendo até um pouco antes da sua concepção – sim, tenho dons premonitórios – poderia supôr que o seu bom-gosto musical fôsse tão apurado e… eclético!
    Discordo, óbvio, de alguns de seus amigos aí de cima: ADORRRRO o YES. E não tenho 50 anos. Tenho 55. É engraçado como cada geração elege tácitamente algumas “vergonhas universais” (não digo que é o caso de Sir Arthur!) e têm receio de romper o ciclo juvenil de…discordar da turma! (meu pai achava os Beatles uma merda, e se um de seus amigos gostasse seria execrado e expulso do cassino. Meus amigos concordavam que Frank Sinatra era meloso, babaca e cafona…não eram más pessoas, apenas ignorantes no seu preconceito restritivo…deixaram de ter prazer porque não era “cool” gostar do mestre mafioso. Que perda de tempo histórica!). Poucas bandas na história da música tiveram a capacidade de traduzir suas influências oriundas da música clássica + mais uma suave mistura de outros gêneros do além de forma magistral, e ainda por cima em rock de primeira qualidade!(é um trabalho para o Super-Homem).
    Yes é uma delas. Emerson, Lake & Palmer, outra. Genesis idem. Progressivo, sim. Abriram portas e janelas de mentes obliteradas que tiveram que progredir na marra e na sutileza, e, pasme, com bom gosto. Essa assertiva é tão indiscutível que nem o barato provocado pelos puros LSD da época conseguiu erase those songs from the souls that got in touch with them (á luz do luar de luaus).
    John Coltrane tem ligação com o divino, sim. E nós ficamos babando atrás tentando entender de onde vem esse elo mágico e umbilical de luz que o cara destila.
    A capa do bebê (humanidade) sendo atraído e pescado com o mito sociocultural-isca representado pela grana e de pinto meio mole é ícone. Melhor que o som do Nirvana (minha vergonha universal eleita? rsrs).

    Bjs!

    Carry on, my dear.

    Sidão.

  9. Não gostei que não tem Ecos Falsos nessa lista.

  10. stefano disse:

    jasmin, sua lista está equivocada, você esqueceu de citar muitas capas que são melhores do que essas e incluiu algumas ruins, ranking baseado excessivamnete na opinião pessoal e não em FATOS, credibilidade kd

  11. JuÉsse disse:

    Discordo do Cidão só no lance do Nirvana.
    Eu gostava do Nirvana – e acho até que nunca cheguei a colocar esse gosto tão de escanteio. E a capa é bem loka.
    Gosto muito da do Cartola, do Chet e do Coltrane, incrível.
    Agora, essa do Tehe Clash que não me pega muito não. Acho que é essa sua fase moderninha-rock-gril. (reparem que as letras do escrito ‘LONDON CALLING’ estão em verde e rosa, que nem a chícara e píres do Cartola da Mangueira).
    Até entendo vc pirar no Yes, mas essa capa aí não tem nada de fora do sério.
    Já viu as capas da Joni Mitchell? Gosto de várias, ela que pintava.
    E as capas do Velvet Underground tb são demais. Aquela da bunda no fundo verde de 1969 eu adoro.
    beijo

  12. JuÉsse disse:

    quis dizer moderninha-rock-girl

  13. JuK disse:

    bom, já que esse é um post de comentários emocionados, eu vou fazer o meu, galere.

    1 – “credibilidade kd”:
    A Ju S errou feio. Essa foto na capa do clash é a melhor foto de todos os tempos (as in “o melhor filme de todos os tempos”).

    sem contar que o london calling é tão moderninho-rock-girl quanto o disco do cartola.

    Aliás, esse pires + xícara verde e rosa, seriam uma coisa meio Elvis? ( http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/5/51/Elvispresleydebutalbum.jpeg )
    estaria o cartola numa fase moderninho-rock-boy?(sofisma FTW)

    2 – “Yes (?!?!) nada justifica”:
    Por outro lado, eu concordo com a Ju S. Têm capas tão melhores por aí do que a do Yes.

    E tipos, eu meio que achei essa capa do Yes feia. Sério, eu fui até olhar no outro computador, pq a tela desse aqui é ruim, pra ver se eu tava perdendo alguma coisa e, meu, ê não dá.
    Me lembra aqueles desenhos de planetas e cachoeiras que os caras fazem com spray no guarujá.
    Acho que o gosto pelas músicas do Yes (?!?!) pode ter te cegado, Jas.

    Mas enfim, parando de ofender geral (porque no fim, essa lista nem é ruim), eu sou completamente a favor de “grandes discos – capas de merda”. Mas só vale uma do dylan e uma do tom waits, se não fica inviável.

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