Piano e Jazz: um top 10

Not.

Ultimamente ando pirando na idéia de fazer listas de top 10.

É um negócio super descolado, essas listas.

A não ser que o tema seja “pianistas de jazz” porque aí não, nada é menos descolado que isso.

Forma descolada, conteúdo afetado, leiam a lista abaixo e decidam vocês mesmos se eu mereço ser convidado nas suas festinhas:

Os melhores pianistas de jazz da história

10 – Oscar Peterson

Um sujeito difícil de se categorizar, transitando entre o swing e o bop, absorvendo estilos consagrados e digerindo tudo com muito virtuose, algo que foi (e ainda é) alvo de críticas para os ouvintes mais puristas do jazz. Para quem torcia os ouvidos com o excesso de notas de Oscar Peterson, o destino foi a resposta: nos seus anos derradeiros, o pianista teve um derrame e perdeu o movimento de sua mão esquerda continuando, mesmo assim, a se apresentar no mundo todo.

Um grande disco: Oscar Peterson Trio Plus One

9 – John Lewis

Sinônimo de classe e elegância, e expoente do Third Stream (a mistura de jazz com música clássica), John Lewis levou o jazz muito a sério na sua vida. O seu trio, Modern Jazz Quartet, pecou e brilhou na sisudez com que eles se apresentavam. Grande acompanhador e grande arranjador, John Lewis ajudou agregou muito valor ao gênero.

Um grande disco: The Modern Jazz Quartet Plays Porgy and Bess

8 – Horace Silver

Como grande parte dos grandes pianistas do jazz, Horace Silver é também um renomado compositor. Suas músicas e interpretações mantém até hoje um grande apelo popular, até para quem acha música instrumental coisa de gente que usa suéter e toma conhaque. Um pé fincado no blues, outro no Hard Bop, Horace Silver é um dos grandes nomes da Blue Note, um dos mais importantes selos de jazz da história.

Um grande disco: Song for my father

7 – Chick Corea

Cientologista e amante dos sintetizadores, Chick Corea misturou na sua carreira a dose mais interessante de cafonice e sofisticação que o jazz já viu. Chick Corea vai do fusion à música clássica porque, no fundo, ele é um puta de um bitolado, estudando com fascínio acadêmico tudo o que é musical. Nunca se espante se um dia você encontrar Chick Corea numa jam session com os Foo Fighters (já rolou).

Um grande disco: My Spanish Heart

6 – Bud Powell

Bud Powell poderia muito bem ser o terceiro, segundo da lista. Só Deus sabe, Bud Powell era tão genial quanto louco, o que acabou precocemente com sua carreira. E com “louco” eu quero dizer que ele passou parte da sua vida num hospício, onde recebeu inúmeros tratamentos de choque o que, evidentemente, não prejudicou muito o seu talento. De fato, o próprio Charlie Parker dizia que Bud Powell era melhor que ele, cunhando o termo “outbird” para se referir ao pianista.

Um grande disco: Bud Plays Bird

5 – McCoy Tyner

Dizer que McCoy Tyner foi o braço direito de John Coltrane é pouco. Sua carreira solo é em parte o legado do saxofonista tenor, mas como explicar discos mais mundanos e fantásticos como “Nights of Ballads and Blues”? McCoy Tyner transformou os acordes de piano numa coisa muito doida e única e virou um verdadeiro paradigma do instrumento na segunda metade do século XX.

Um grande disco: Expansions

4 – Erroll Garner

Sempre que você ouvir a história de que um desses grandes jazzistas não sabiam ler partitura, pode apostar que é mentira. Louis Armstrong, por exemplo, sempre soube ler notinhas, apesar do que dizem por aí. A única exceção é Erroll Garner. Ele não sabia ler música, o que é de se espantar se um dia você parar pra ouvi-lo. Erroll Garner tinha uma técnica infalível, e um estilo que às vezes lembra a gente de um Pedrinho Mattar (aquele velho idiota do Pianíssimo), mas que nem por isso perde a graça. Sem dúvida a melhor mão esquerda da história do piano.

Um grande disco: Misty

3 – Bill Evans

Quem ouve rádio Eldorado já ouviu o mala do Daniel Daibem chamando Bill Evans de “impressionista do jazz”. O termo é tão afetado quanto preciso, pois Bill Evans tem no seu estilo algo de etéreo, atmosférico e sensual. Bill Evans é, de fato, uma pessoa muito importante na história do jazz também pelo aproach novo que ele deu não só ao piano, mas especialmente à sua harmonização. Os acordes de Bill Evans garantiam sua verve “impressionista” mas também permitiam um jogo mais democrático com seus trios, onde não havia claramente um protagonista. Baixo e bateria, na visão de Bill Evans, não acompanham, mas complementam. Um cara fundamental.

Um grande disco: Sunday at the Village Vanguard

2 – Art Tatum

Uma das grandes tristezas no mundo do jazz é o fato de que a discografia de Art Tatum é tão velha que ela é podre de tão ruim. O que temos de Tatum é uma ruína do que já foi, mas nem por isso menos impressionante. Aliás, pouca gente nesse quase século que passou conseguiu chegar perto da destreza e maestria do cara, o que é muito se considerarmos que além de tudo ele era meio cegueta. Art Tatum é uma das senão a maior influência de pelo menos 80% dos pianistas dessa lista. É o piano em puro estado de graça.

Um grande disco: The Tatum Group Masterpieces (vários volumes)

1 – Thelonious Monk

Monk é top 5 não só dessa lista, mas também de várias outras, como Top 5 compositores e Top 5 gosto para chapéus exóticos. Monk é inventor de um estilo difícil de se copiar e fácil de se incorporar, em que se descobriu que existia toda uma coisa rolando ali por entre as notas do piano. Descrever o som de Monk é atentar ao seu grande nível de complexidade: Monk, como Tatum, entra na categoria clássica de genialidade, dado que Monk era muita coisa ao mesmo tempo, característica que entra em perfeito compasso com seu conhecido distúrbio bipolar. Thelonious Monk abusou de todo o escopo de intervalos musicais e usou com eficiência e respeito todas as notas do piano, das mais graves às mais agudas, fazendo um tipo de música que é no mínimo inesquecível e, por mais bizarro que ela possa soar, algo que provém das mais profundas e tradicionais raízes do jazz.

Um grande disco: Brilliant Corners


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10 Responses to Piano e Jazz: um top 10

  1. Vini disse:

    Suza, seu purista!

    Keith Jarreth e Brad Mehldau, eu diria. Duke Ellington não?

  2. Jasmin disse:

    Duke Ellinton não. Na lista de melhores arranjadores ou compositores, talvez, melhor pianista, not.

    Agora sim, Faltou um Brad e um Keith.

  3. Tom Butcher Cury disse:

    Keith Jarreth vá lá, mas vocês sinceramente amampracaralho ouvir o Brad Mehldau, assim, se emocionam?? Puta mala exibicionista!

  4. Ricardo disse:

    Parabéns pela postagem, aprendi bastante coisa e já estou baixando vários álbuns de todos eles.
    Dos listados, já tinha bastante coisa de Oscar Peteerson, Chick Corea e o Monk. Agra vou aumentar meus conhecimentos jazzisticos.

    Estou começando um novo blog de jazz, o jazzblog.com.br quando tiver um tempo da uma passada lá.

  5. Leo Brown disse:

    deixar Oscar Peterson em 10 e Art Tatum em Segundo??? Não concordo… Na minha opinião, Art Tatum é o número 1 e Oscar Peterson o segundo…

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  7. nelson disse:

    Que lista é essa que nao tem Herbie Hancock, Keith Jarreth e Oscar Peterson, Michel Camilo? A propósito acho o Brad Medau um grande merdau, muita pose e pouco som…

  8. saladamusica disse:

    Como pianista, monk nao entraria nem no top 20. Como compositor sim! Keith Jarret estaria entre os top 3!

  9. Isaque Nilton disse:

    Oscar peterson tinha uma improvisação incrível o q lhe daria o primeiro lugar foram 6 décadas tocando jazz ele nao era compositor

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