Emanuelle: uma homenagem

Vai com Deus, minha filha!

No que diz respeito ao mundo audiovisual, a palavra “inverossimilhança” se encaixa perfeitamente em dois gêneros: os filmes de ação e o softporn (também conhecido como “filmes eróticos”).

A diferença entre um softporn e um pornozão, pra quem não sabe, é a existência ou não do sexo explícito. Enquanto o pornô contorna a inverossimilhança do enredo com a documentação da foda, o softporn mantém a falsidade com um sexo de mentirinha, fácil de notar pelo jeito que os atores se posicionam na cena: para quem entende minimamente da fisionomia humana, fica claro que o sexo ali encenado só seria possível se o ator tivesse um pinto no lugar do umbigo.

Cabe atentar também ao fato de que, num softporn, uma transa nunca se dá num lugar ordinário como o quarto em que dormimos: são ambientes completamente inóspitos como uma cachoeira ou o parapeito de um hotel a beira-mar. Uma foda softporn só pode acontecer numa cama se esta estiver abarrotada de muita seda, material comumente associado à sensualidade por ser lisinho, geladinho e gostosinho.

De qualquer forma, os softporns povoaram e muito meu imaginário infantil e pré-púbere, numa época em que meu acesso aos peitinhos e bundinhas se restringiam à madrugada da Band, no famoso programa Cine Privé que exibia os maiores clássicos do softporn incluindo a série Emanuelle, inicialmente protagonizada por Sylvia Kristel e posteriormente substituída por uma americana peituda e siliconada chamada Krista Allen que foi, durante muito tempo, a namorada de ninguém menos que George Clooney.

Para mim, não havia muito opção: ou era Emanuelle ou era Cocktail, um programa do SBT em que mulheres colavam desenhos de frutas nos mamilos e você tinha que adivinhar qual fruta estava relacionada a qual moça. Toda uma peitolada rolava ali, sem dúvida, o problema é que o programa era apresentado pela figura menos sensual da história da televisão: um barbudo chamado Miele.

Eu mesmo!

Ver aquelas mulheres seminuas seguido de um close-up no Miele é um pouco como transar com alguém e no meio tocar o celular com o ringtone de uma música do Nelson Ned.

Por isso que eu ficava com Emanuelle, uma verdadeira saga que recentemente eu tive o (des)prazer de rever na televisão depois de adulto.

A idéia de Emanuelle era misturar erotismo com um toque de espiritualidade e finesse, o que não faz o menor sentido, pois não existe nada mais mundano do que trepar e nada menos fino do que um peido vaginal.

Os enredos eram salpicados de elementos mágicos completamente estúpidos, como um perfume que o transformava em quem você quisesse ou um monge budista com conhecimentos sexuais milenares. Em uma das versões americanas, Emanuelle ensinava marcianos a se reproduzirem sexualmente ao invés de usarem o arcaico método dos esporos. Isso munido de uma tiara iluminada que transportava quem a vestia a qualquer foda que estivesse ocorrendo naquele momento.

Para quem sempre teve tesão por tiaras luminescentes, Emanuelle pode parecer uma boa pedida. Para o resto, fica a questão: o que o cu tem a ver com as calças?

De qualquer forma, me pergunto o quanto filmes como Emanuelle não se tornaram um paradigma sexual de pessoas da minha e de outras gerações. Será provável que algum casal da minha idade esteja agora transando enquanto toma uma enxurrada sufocadora de água, provinda de uma cachoeira paradisíaca nos confins desse meu Brasil varonil? Alguém se interessa por essa atividade tão pouco prática?

E o que dizer então de hoje, quando a molecada tem fácil acesso a pornografia, esse gênero que compara sexo a uma mistura de pilates com acrobacia e que popularizou o chamado money shot (também conhecido como gozada na cara)? Como encarar hoje em dia aquelas enormes e horrorosas tetas esféricas norte-americanas, e o punhado de gritos exagerados, gemidos teatrais e frases pré-roteirizadas como “cai dentro” e “que piroca gostosa”?

Tudo isso pode ser tão sexy quanto cômico, dependendo do contexto e ponto de vista. Nossos avós, por exemplo, são taradinhos por coisas como braços, cotovelos e tornozelos.

Tits are the new ankles.

Vai entender, mas ao mesmo tempo quem sou eu para questionar a sexualidade do vovô e da vovó? E quem sou para achar ridículo quem compra o DVD da Gretchen? Quanto mais ela parecer com o Alice Cooper, mais fica claro que nesse mundão tem gosto pra tudo.

Ou, como diria a propaganda daquele cigarro nojento, é cada um na sua, com alguma coisa em comum.

 

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5 respostas para Emanuelle: uma homenagem

  1. ana beatriz disse:

    3 pontos sobre Emanuelle:
    parece que o Gainsbourg participou (trilha/atuação) no Emanuelle 2;
    tenho uma adoração secreta pela tiara de coração que pisca – objeto de desejo;
    daria a unha do dedo mindinho para descobrir o que faz o infeliz que toca/canta na sacada com vista para o mar do final do Emanuelle no Rio.

  2. Cauê disse:

    foi-se o tempo da punheta-arte

  3. Tata disse:

    putz… bem q sua mãe falou que era muito bom… é mesmo de verdade…meu o que seria da minha iniciação sexual c num fose a EMANUELE… devo noites cançativas á ela…rsrsr…suza.. vo te q avisa a galera…muito bom…

    falow…

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