Mestres do Universo!

Um clássico!

Talvez esse nome não diga nada à maioria das pessoas. Mas eu nunca esquecerei daquela tarde de terça-feira depois de enfrentar a longa maratona “Escola-Videoshow-Vale a Pena Ver de Novo” (a novela era Pedra Sobre Pedra) quando a inimitável Sessão da Tarde apresentou este clássico para mim pela primeira vez: Mestres do Universo.

Possivelmente alguém já saiba do que estou falando e possivelmente já fez a associação. Mestres do Universo é a adaptação cinematográfica de outra maravilha da infância, o seriado animado He-Man, o guerreiro de Greyskull, aquele que tem a força quando a espada está erguida.

O motivo da lembrança foi trombar com este filme e perceber coisas que me escapavam na época como toda a sua roupagaem kitsch, sua história sem pé nem cabeça e seu elenco estelar.

Primeiro a história: o vilão Esqueleto toma o castelo de Greyskull e quer o poder absoluto do lugar. He-Man e as forças do bem, acuadas, fogem através de um portal mágico e acabam parando em… Los Angeles! Lá, He-Man e seus amigos precisam achar a chave do portal perdida pela cidade, bolar um plano para voltarem a Eternia e derrotar Esqueleto. Só que Esqueleto também consegue uma chave do portal e localiza He-Man. Esqueleto vai até Los Angeles (dizendo assim parece que ele pegou um avião, mas é muito mais irado) e captura He-Man. Seu amigos precisam, então, com a ajuda dos humanos, voltar a Eternia e libertar He-Man para que este acabe com Esqueleto. Pura dramaturgia dos filmes de fantasia.

Cara, muitas coisas são inesquecíveis: os cenários de Eternia com toda a sua opulência e cafonice, que depois influenciariam Power Rangers: o Filme; os figurinos e objetos pensados como uma mistura kitsch de ficção científica e medievalismo de Dungeons & Dragons (o ponto alto é a chave do portal: um daqueles potes que se usava para jogar aquele negócio da vareta com bolinhas de gude pintado de preto com uns botões e metais que faziam sonzinho de sintetizador mequetrefe e umas luzinhas meio gays); os cabelos e roupas dos californianos dos anos 80, que sempre despertam um misto de euforia e constrangimento; e claro a pergunta que não quer calar: que caralhos foi essa idéia de colocar He-Man em Los Angeles?!

A cereja do bolo é o elenco. Eu não tinha idéia de quem eram essas pessoas na época que vi pela primeira vez, mas hoje a ficha de estrelas sob a batuta de Gary Goddard (um parente distante do mestre do cinema françês?) diz muita coisa. A começar por Dolph Lundgren, o gigante huno, o Ivan Drago de Rocky IV, o primeiro a interpretar o Justiceiro no cinema e o vilão de Soldado Universal, de Van Damme. O vilão Esqueleto é ninguém mais, ninguém menos que Frank Langella, ator importante do teatro americano, indicado ao Oscar deste ano pelo papel de Richard Nixon em Frost/Nixon. Fora isso, quando He-Man perde a chave do portal em Los Angeles, esta é encontrada por uma jovem representada por… Courtney Cox, a Monica de Friends, cuja mãe no seriado é Christina Pickles, a Feiticeira do Castelo de Greyskull neste filme.

E para fechar com chave de ouro, James Tolkan. Não é fácil associar o nome à pessoa, mas com certeza você já viu este cara em algum lugar. Ele sempre é o coadjuvante representante das forças oficiais que, no fim das contas, é só a peça descaratável dentro de um contexto muuuuuito maior.

James Tolkan como o indefectível Sr. Strickland

Tolkan é o Napoleão (e o sósia do imperador) no filme de Woody Allen de 1975, A Última Noite de Boris Grushenko, e o oficial Stinger em Top Gun. Contudo, ele é bem mais conhecido como Sr. Strickland, o diretor do colégio de Hill Valley em De Volta Para o Futuro.

Aqui, ele é o policial de Los Angeles que vê a guerra entre o bem e o mal e não desconfia que isso é mais do que apenas um bando de arruaceiros causando desordem. É o alívio cômico, o policial pateta.

Tolkan é um típico eterno coadjuvante. E dos mais xiitas. Podemos dizer que ele é um grande ator? Não. Ou então que ele será lembrado pela história do cinema como alguém de primeira grandeza? Também não. Mas é de atores como James Tolkan que nossos filmes preferidos da Sessão da Tarde são tão inesquecíveis.

***

Pra fechar um pedido. Ou melhor, uma súplica: não deixem clássicos como Mestres do Universo morrer. É o mínimo que podemos fazer por estas pérolas da cultura ocidental que nos alegraram durante tantas tardes. Se achar o DVD compre; se não, baixe na net. Só não deixe os poderes de Greyskull se acabar.

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Uma resposta para Mestres do Universo!

  1. Chico disse:

    Ou assista em streaming:
    http://www.letmewatchthis.com/watch-3606-Masters-of-the-Universe

    Parte da minha infância também.

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