Fiore Mastracci

Parece piada, mas é apenas o Fiore

Este é Fiore Mastracci. Pela foto e lendo este nome parece até piada. Mas não, esse cara existe e é considerado por muitos o pior crítico de cinema do mundo. Seu site é um reduto de pérolas inestimáveis.

Além disso, Fiore comanda um programa de TV sobre cinema em Pittsburg, odeia o cinema francês (ou melhor, a França como um todo) e está apavorado com o governo Barack Obama e sua popularidade. Sempre que pode, ele alfineta o presidente como, por exemplo, em sua crítica de The Road, baseado no romance de Cormac McCarthy (o mesmo autor do livro No Country For Old Men):

“Baseado no romance de Cormac McCarthy, vencedor do Prêmio Pulitzer, fui forçado a imaginar se o comitê do Pulitzer está mancomunado com os gagás do comitê do Nobel, principalmente depois de premiarem Barack Hussein Obama com o Nobel da Paz. Eu posso até ver os caras do Pulitzer lendo o romance de McCarthy enquanto cortam seus pulsos com abridores de latas, numa variedade de cores em neon.”

Sua expressão favorita é “excremento em celulóide” e ele a usa em momentos variados. A última vez que ela apareceu foi para classificar O Fantástico Sr. Raposo de Wes Anderson, adorado pela maioria absoluta da crítica mundial. Afinal, como pode alguém fazer um filme de animação para crianças virar uma peça de arte ao gosto francês?

Mas não é apenas assim que Fiore mostra toda sua independência crítica. Ele tem uma lista dos melhores do ano que tem o sugestivo nome de “Fist of Fiore Awards” ou “Prêmio Punho do Fiore”.

Segundo a descrição de Fiore, ele é dado aos filmes que exemplificam e são a epítome de excelência em entretenimento cinematográfico. O negócio é tão sério que em 2008 Fiore apenas dois filmes receberam o prêmio: Batman – O Cavaleiro das Trevas e 007 – Quantum of Solace. Contudo, como toda boa lista, há a menção honrosa: Trovão Tropical, Appaloosa, O Incrível Hulk, Iron Man, O Procurado e Spirit (do Frank Miller), entre outros.

Sobre este último Fiore escreveu, após dar uma cotação 9 de 10: “SPIRIT foi divertido. Pareceu bom também; como uma loirona pernuda sentada em sua escrivaninha quando você volta para o escritório. Alguns não entenderão, outros nunca o farão. Mas se você procura um filme tão bizarro que vira estimulante, então SPIRIT é o da vez”.

Como se pode ver, Fiore é um desmistificador. Ele gosta de dar seus arranca-rabos na crítica de arte e mostrar que entende o que é o verdadeiro cinema: “Nota aos câmeras e diretores de fotografia de todo o mundo (exceto na França): câmera realista foi inventada por produtores de televisão de produções baratas para a massa plebéia. Ela não tem lugar no

Masterpiece!

cinema, exceto em brilhantes fitas ocasionais como Cloverfield” (“Crítica” sobre Inimigos Públicos, de Michael Mann, que recebeu nota 3 de 10).

Eu sei que isto está tomando demais do seu tempo, mas se guarde para os filmes de 2009, ano farto para Fiore, já que tivemos filmes “diversão” como Star Trek (“O melhor filme que vi desde Batman – O Cavaleiro das Trevas”), filmes alternativos como Pineapple Express, comédia sobre amigos maconheiros, (“PINEAPPLE EXPRESS é uma perda de vida.Você nunca recuperará essas horas. É melhor ir a um proctologista. Um filme terrível, sem valor, chato, simplesmente lixo”) e também grandes filmes amados pelos críticos como Bastardos Inglórios, talvez o texto com as melhores pérolas de Fiore:

“Nós descobrimos imediatamente duas coisas após ver o novo filme de Quentin Tarantino INGLOURIOUS BASTERDS: Primeiro, ele não sabe soletrar; e segundo, ele não tem senso histórico”.

Shit!

” Os franceses não fizeram nada de valor desde a Renascença. Eles nos deram Jean Luc-Goddard, e ele destruiu sozinho a arte de fazer filmes”.

“O final é tão burlesco que faz o filme inteiro parecer irrelevante.”

“Ainda que possam ser divertidos, parece que os filmes de Tarantino estão sempre rindo do público; como se dissessem: “Ha ha idiota! Você pagou para ver isso!”

Com tanto amor pelo entretenimento contra a arte chata, como não lembrar daquele que foi, para mim, o pior crítico de cinema do mundo até descobrir Fiore: Rubens Ewald Filho, o gênio por trás do In Memoriam todo ano durante a transmissão do Oscar.

Rubens é um adorador da diversão, afinal filme tem que divertir o público antes de tudo, né minha gente? Ou como ele mesmo diria sobre Distrito 9: “Deve ser visto com uma movimentada aventura, aliás bem feita e intensa, com alguma coisa a dizer. E que felizmente não deixa a mensagem ser mais pesada do que a  diversão”.

Spectacular! Spectacular!

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