O Cara, A Mina e O Vacilão

Já que os anos 10 chegaram sem discussão, porque não refletir sobre os anos 00 que não voltam nunca mais?

Nós do Só Casando adoramos uma lista (dê uma olhada nos arquivos e você vai encontrar coisas que até o divino duvida), mas resolvi começar esse balanço da década passada (depois podemos discutir se já estamos numa nova década ou não, mas por enquanto isso é o de menos) nomear apenas “O Cara” e “A Mina”, homem e mulher que se destacaram ou tiveram papel significante na década além de, em certa medida, deixarem algum ensinamento para a década que entra; e “O Vacilão”, alguém que tinha tudo para arrebentar nos anos 00 e terminou a década queimado como carvão de churrasco.

Então, vamos a eles:

“O Cara”: George Clooney

As pessoas podem não se lembrar, mas em 1999 George Clooney era um ator de TV que tentava se tornar uma grande estrela de cinema. Contudo, só tinha feito filmes de ação ou coisas duvidosas como Batman & Robin. 2000 foi o início da virada depois de participar de E aí meu irmão, cadê você? dos Irmãos Coen. Ele ganhou reconhecimento crítico por fazer um filme de “grife” e logo depois ganhou o status de estrela de primeira grandeza com Onze Homens e Um Segredo.

Cheio de dinheiro e prestígio, qualquer um ficaria preguiçoso. Clooney não. Ele resolveu se arriscar como diretor e roteirista, se deu bem com a crítica e seu ponto alto dentro da indústria foi receber três indicações ao Oscar em 2006: roteiro e direção por Boa Noite, Boa Sorte e ator coadjuvante por Syriana, estatueta que levou pra casa.

Mas e daí? Bem, além de seu prestígio como ator só aumentar, Clooney se tornou um dos maiores astros da década e um dos homens mais desejados pelas mulheres desse mundão. Por acaso você vê Clooney em sites de fofoca? Em barracos ou escândalos sexuais? E mais: você se lembra de ver George Clooney no altar ou carregando filho no colo?

Eis o diferencial de Clooney que serve de exemplo para a próxima década: enquanto Johnny Depp é meio recluso e Brad Pitt tenta recriar o jardim da infância em casa, George optou por ser um bon vivant, morar nas ilhas gregas, andar de iate tomando os melhores vinhos do mundo e comer um monte de mulheres sem se preocupar em manter as aparências do homem correto. Já que o negócio é ser famoso, vamos curtir!

Clooney é “O Cara” porque ele faz da fama apenas o meio para aproveitar a vida. E na cartilha do titio Clooney ela pode ser muuuuuuito divertida.

“A Mina”: Amy Winehouse

Olha, quando viramos a década, o século e o milênio o mundo da música pop era dominado pela patricinhas. Todas as cantoras tinham de ser bonitinhas, cantar meio que nem Madonna, saber dançar um pouco e sair nas revistas de fofoca porque trocou de namorado. A Britney inclusive carregou a virgindade por muito tempo. Ou então, você era “sofisticada” a la Diana Krall e a Norah Jones.

Os rapazes eram ou rappers ou playboys ou esquisitos e suas músicas eram sobre dinheiro (rappers e playboys), mulheres (playboys e rappers) ou crises existenciais (os esquisitos, em geral roqueiros alternativos tentando ser o novo Thom Yorke).

Eis que em meados dos anos 00, aparece um magrela inglesa meio estrupiada e locona com um vozeirão meio clássico fazendo um som regado a soul music dos anos 60 e 70 só que com uma pegada muito contemporânea. Isso botou Amy Winehouse no topo.

Ela é “A Mina” por três razões: 1. ela contrariou todos os cânones das cantoras pop, tanto de visual quanto da música; 2. Amy chutou o bom mocismo para escanteio e abriu espaço para uma maneira de levar o estrelato muito parecido que o verdadeiro espírito roqueiro. Sem medo de errar, ela foi o grande rock star dos anos 00, reciclando a cartilha sexo, drogas e rock n’ roll. Ela fez muitos shows completamente trêbada, nunca se intimidou com a perseguição da mídia, deu muito barraco, saía na porrada com o marido e tomou tanta droga que o mundo todo está na espera do dia da overdose (e aposto que, só pra contrariar, ela vai durar um tempinho ainda); 3. ela fez tudo isso com o lastro de um dos mais interessantes discos de música pop da década, Back to Black: uma sonoridade contemporânea, mas com referências da boa música negra americana, do pop anos 60 e rock de cabaré. Ou seja, a pose dela tem música.

Amy Winehouse fechou as portas das cantoras dançarinas da virada do milênio e abriu para uma certa ousadia que deveria ser a pegada dos anos 10. Não fosse ela, não existiriam como Joss Stone, Lily Allen, Lady Gaga e otras cositas desse tipo.

O Vacilão: Guy Ritchie

Vamos fazer um exercício juntos e abandonar o que a gente sabe hoje sobre esse cara para entender como se pensava na entrada dos anos 00: em setembro de 2000, Guy Ritchie lançava na Inglaterra Snatch – Porcos e Diamantes e tomava de assalto a cultura pop cinematográfica. O filme confirmava a salada mista de crime, ação, humor e referências pop com uma velocidade estonteante que seu filme anterior Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes já havia mostrado.

Em dezembro deste mesmo ano, para completar, Ritchie casava com Madonna Louise Veronica Ciccone a.k.a Madonna, a maior estrela pop da época (e até hoje talvez). Ou seja, Guy Ritchie entrava na década pronto para conquistar o mundo. Ele já era considerado o “Tarantino Inglês”, preenchendo o vácuo deixado pelo americano desde o laçamento de Jackie Brown.

Sem entrar no mérito desses dois filmes e se as comparações são válidas, o caso é que em 2000, Guy Ritchie era o nome da vez para ser o “novo Tarantino”, o que, convenhamos, não é pouco.

E o que aconteceu? Bem, ninguém sabe de verdade.

Talvez o deslumbre de entrar no primeiro escalão do mundo pop e se casar com alguém do tamanho da Madonna fez o cara se apavorar. Supondo que Ritchie tenha talento (algo que se mostrou duvidável), ele guardou no armário depois da lua-de-mel e não tirou de lá até agora.

Primeiro foi o inexplicável Destino Insólito, filme estrelado por sua mulher, Madonna. O filme não tem pé nem cabeça e é o extremo oposto de tudo que Ritchie tinha feito até o momento. É como se George Romero dirigisse uma comédia com a Sandra Bullock. Fora isso, a Madonna está uma bagaço nesse filme, parece até que ele fez o filme para ridicularizar a mulher opressora. O filme entrou para várias listas dos piores do ano (2002) e fez Ritchie perder todo o afeto que o mundo pop tinha por ele.

Mas ele tentou se recuperar voltando para seu universo de crimes e trapaças com Revólver, um filme tão sem pé nem cabeça que quase ninguém viu e quem o fez não se lembra. E o recente RockNRolla é o maior peido n’água do mundo. É como se Ritchie tentasse recuperar o barco que já correu as cataratas do Niágara abaixo. Falta todo o charme e consistência que seus dois primeiros filmes tinham.

E como pra quem erra uma, erra duas e erra três, errar nunca é demais, vem aí seu Sherlock Holmes que me parece (PARECE, vejam bem, pois não vi) uma leitura muito, Muito, MUITO errada do personagem de Conan Doyle. Sherlock Holmes bonitão e atlético? Watson um lord galãzinho? Sério?

Em resumo: o cara que começou a década como o novo Tarantino e pegando a mina mais famosa do pedaço, terminou como o bundão sem talento fazendo o mais do mesmo discutível. Para piorar sua epopéia degringolada, Tarantino voltou a filmar e fez um dos melhores filmes da década e… Ah! a mulher o largou no final em 2008.

PS: Aceitamos idéias diferentes. É só comentar.

7 respostas para O Cara, A Mina e O Vacilão

  1. Cecilia disse:

    Isso aí. Vcs so esqueceram de dizer que nos anos 00 mesmo as pats dos anos 90 aproveitaram em suas vidas as influências da Sra. Winehouse. Lembra da Britney virando o Capeta? Hehe. Minha parte preferida.
    Bjos!!!

  2. Fernanda disse:

    Ei… A Joss Stone surgiu bem antes da Amy Winehouse, nao?

  3. Pedro disse:

    Joss Stone surgiu bem antes da Amy Winehouse.
    Fica a dica.

  4. Raul Arthuso disse:

    Na verdade, as duas surgiram meio que ao mesmo tempo (como vocês gostam de se ater aos detalhes!), mas reparem que a Joss Stone só foi contratada por uma grande gravadora depois do Back to Black:
    http://www.allmusic.com/cg/amg.dll?p=amg&searchlink=JOSS|STONE&sql=11:3bfwxqy0ldte~T2
    http://www.allmusic.com/cg/amg.dll?p=amg&searchlink=AMY|WINEHOUSE&sql=11:d9fuxqqaldke~T2

  5. Fernanda disse:

    Nao eh pessoal, Raul!! haha

  6. […] Housewives”, “Damages” e “Private Pratice”). E se hoje Clooney é o cara , nunca entendi porquê a carreira de Juliana Margulies não decolou em […]

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