TV Cultura me deprime

"Alguém tem barbitúrico?" - Padre Anchieta

Assistir aos programas da TV Cultura que fizeram parte da minha infância, como Rá Tim Bum, Glub Glub e aquela porra horrorosa do Cadê o Leo me dá muita depressão.

Uma sensação inexplicável porque, de fato, minha infância não foi triste nem cabulosa.

Acho que eu não estou sozinho nessa. Diria mais: acho que todas as pessoas da minha geração compartilham desse estranho sentimento.

E qual sentimento é esse, exatamente?

Bem, é a vontade de se matar quando a Ná Ozzetti canta o Hino Nacional:

Essa maquiagem horrorosa mesclada nesse cromaqui grotesco, e o impulso de socar esse nariz quando ela diz: “É o Hino Nacional!”.

A abertura do segmento “Senta que Lá Vem a História” não é apenas triste, ela é assustadora! Essa porra desse sofá voador assombra meu inconsciente até hoje. E porque o locutor tem que falar com aquela voz, porra?

Esse espiralzinho torto, pixelado, cuja ponta é acizentada (revelando o cursor do mouse com o qual ele foi feito) me dá vontade de chorar e abraçar o infeliz que fez essa vinheta.

Aquela esfinge de merda me dá embolia traumática de tanta raiva.

Qual é o cachorro diferente? Sério? Eu era uma criança, não um macaco, caralho! Por que você não me pergunta a tabuada do 3 ou algo que preste? Você não é o mestre dos enigmas? Não, porque você não é a esfinge, e sim um ator mal pago, maquiado e colado num cenário tenebroso. Vá se foder!

E a abertura do X-Tudo? Quem concebeu esse lixo?

Tudo começa com o X-Tudo comendo um hambúrguer em cima de um mapa, depois ele entra numa luneta e é jorrado para a lua, onde ele encontra uma aranha, uma caveira, e um bando de formigas sentadas assistindo televisão. Bem educativo mesmo!

Você lembra que no Glub Glub tinha um desenho chamado Rua dos Pombos? É uma animação tão mal feita que faz o South Park parecer obra da Pixar.

A turma da Rua dos Pombos era ridícula, nem era propriamente uma “turma” mas sim um bando de velho desempregado com um bando de criança pentelha e alguns funcionários da região: o policial, uma carteira feia pra cacete e um cozinheiro. Eu não lembro muito bem como se dava um episódio da Rua dos Pombos, mas imagino que ele pecava na falta de enredo.

Tinha também Jimbo, o avião.

A idéia de que basta colocar rosto num objeto inanimado para transformá-lo em personagem infantil é, no mínimo, tétrica.

Ás vezes eu me pergunto se a Fundação Padre Anchieta tem realmente alguma ligação com Deus, porque Um banho de aventura (aka Cadê o Leo) era certamente uma obra do Canhoto.

Da onde eles tiraram essa Dona Regina? De um quadro do Francis Bacon?

De qualquer forma, a gente não tinha muita escolha. Ou era isso, ou era Xuxa, ou era varar a madrugada e ver Cine Privé (“quando será que eu vou enconstar num desses?”).

As crianças de hoje nascem muito mal acostumadas com essa história de internet e TV a cabo, pois elas vão acabar achando que a vida é um leque infinito de possibilidades e escolhas.

Coitadas.

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21 respostas para TV Cultura me deprime

  1. Vini disse:

    Fade pro branco, não falei?

  2. Arthur disse:

    Compartilho do sentimento, apesar de quase não conseguir sentir raiva dessas coisas meio cândidas, meio toscas, que me comunicam uma tristeza profunda e um medo quase paralizante de morrer.
    Exceto a Ná Ozetti. Quando eu vejo a Ná Ozetti eu só sinto vontade de inventar uma máquina que te permita chutar a boca de alguém através da TV.

  3. Ruy disse:

    se você não canta o hino nacional que nem jogador de futebol agradeça à ná ozzetti, suza, seu japonês paraguaio desnaturado!

  4. Pedro Arantes disse:

    Cara, o que sempre me impressionou mais que tudo (e tenho essa lembrança clara da infância) é a porra da saboneteira da Ná Ozzetti. Pra quem não sabe, saboneteira é o espaço triangular existente na ligação do ombro com o pescoço, entre os músculos peitoral e o deltóide, com base na clavícula.

  5. Maria Eugênia disse:

    Um Banho de Aventuras é e sempre será a coisa mais aterrorizante de todos os tempos. Sempre tive medo. Alguém lembra de quando ele entra na máquina de lavar? hahahahahaha

  6. Julio disse:

    Podia ser pior. Podia ser o Hino da Alemanha. Imagina ela cantando o hino estilo a versão da Nico – Totalmente do demo.

    Über Alenz!

    • Pedro disse:

      a única diferença é que o hino da alemanha foi composto pelo haydn, então desconfio que seria um pouco melhor… imaginem a ná ozzetti tentando se virar com isto:

  7. […] This post was mentioned on Twitter by marilia fredini, So Casando. So Casando said: http://socasando.com/2010/03/24/tv-cultura-me-deprime/ Ná Ozzetti e outros pesadelos de infância […]

  8. Fernanda disse:

    hahahaha… saboneteiras dos infernos! não tinha reparado!

  9. Rita disse:

    Pô, Suza. Meu pai fazia Rá-tim-bum.

  10. Rita disse:

    Hahahahah
    Pois veja lá se vc quer chutar a cara dele, que ele é grandinho, tá.

  11. Maria Eugênia disse:

    Rita, eu não sei quem é você nem quem é seu pai. Mas obrigada! Eu gostava de Rá-tim-bum (não mais que o Castelo, o Cassio Scapin é muito bom).

    • Maria Eugênia disse:

      PAREM O BRASIL! Eu acabei de descobrir que o Cassio Scapin fez aquela novela “Mutantes”. Agora, a questão é: COMO ASSIM!? -15 pontos de credibilidade para o mesmo.

  12. Amanda disse:

    “Da onde eles tiraram essa Dona Regina? De um quadro do Francis Bacon?”

    Essa observação é tão brilhante que parece até inspirada por Deus.

  13. Gabriel disse:

    Existem vários comentários iluminados. Gostei muito disso. Desculpe Rita!

    Gabriel Maretti.

  14. Joana disse:

    Gente, que juventude meio-intelectual-meio-de-esquerda amarga nós viramos! Fazia todo sentido na época e hoje me dá uma nostalgia boa saber que eu não precisava de tanta crítica para me divertir antes de ir pra escola. E digo isso lembrando que minha televisão da cozinha era em branco e preto e, quando a esfinge perguntava qual era o objeto de cor diferente, eu me sentia totalmente de fora!
    Vamos lá, mais benevolência nestes seus olhares! Hoje em dia meus alunos só jogam DS e WI.

  15. alyson disse:

    mesmo quando era pequeno eu achava esses quadros do programa apelativos! eu morria de medo do senta que lá vem história. bem hoje em dia a geração playstation jamais gostaria desse programa! se é uma pena ou não eu não sei, porque tinha vezes que eu gostava do programa e outras que não.

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