Império de Anões

This is Dwarfland!

Enquanto parte do mundo se concentra em desenvolver conceitos idiotas como as Paraolimpíadas e outras atividades politicamente corretas, numa maneira ultrajante de colocar debaixo do tapete os entulhos que pesam na consciência de um caucasiano jovem, bonito e joiado, um Império de Anões se forma no meio da Província de Yuan, na China.

Esse Império, criado por um empresário multimilionário chamado Chen Mingjing, está atraindo todos os meses uma quantidade considerável de turistas do mundo todo.

Nele, moram cerca de 900 anões que diariamente disponibilizam diversão e entretenimento aos visitantes, com desfiles, shows e outros tipos de serviços.

Dezenas de anões aparecem no Império diariamente a procura de alojamento e emprego. Grande parte deles se alegram com um espaço onde eles encontram um clima de igualdade (afinal, todo mundo lá é anão) e consideração (casas com pé direito baixo, aulas grátis de inglês). Ou Jielin, uma anã que trabalha no Império, encontrou lá o amor da sua vida e considera seu novo emprego como responsável por trazer de volta sua dignidade.

Talvez Ou Jielin esteja exagerando quando relaciona sua vida com a palavra Dignidade. Afinal, estamos falando de um Império de Anões, caralho.

Por outro lado, duvido que as centenas de anões que ali vivem não sabem que boa parte dos turistas apareçam por lá para dar uma boa risada da sua pequenez. Será que Ou Jielin não pode ser genuinamente feliz dada tal circunstância?

Fora do Império dos Anões, Ou Jielin provavelmente vivia uma mistura nociva de discriminação aberta com o preconceito velado por parte daqueles que, de maneira demagógica, a empregavam numa loja de roupas e lhe faziam a vã promessa de uma vida normal.

No Império, ela está entre pessoas da sua altura, que sofrem dos mesmos problemas, que abertamente entendem, ao trabalharem no mundo de um entretenimento vulgar, que ser anão é ser diferente e é também ser, de fato, uma aberração física. Nesse clima, que ela descreve como “familiar e digno”, Ou Jielin encontra sua alma gêmea e, com isso, um sentimento que talvez lhe parecesse muito distante na época em que vivia num bairro qualquer da República Popular da China.

Admitir que anão é uma coisa estranha e, inevitavelmente, cômica, não quer dizer que alguém que sofre de nanismo está fadado a virar atração de circo. Quer dizer, por outro lado, que ele não vai poder ser uma série de coisas: top model, bombeiro, piloto de avião. E quer dizer também que ele vai encontrar uma dificuldade danada para ser uma série de outras coisas em que ser anão atrapalha bastante: cirurgião, diplomata, astronauta, contrabaixista.

Muitos anões encontraram no mundo das artes um espaço para ser feliz e se expressar. Michel Petrucciani, um pianista de jazz a ser respeitado, é um nome que me vem a cabeça. Ele tinha mini-mãozinhas e precisava de pedais adaptados para chegar nas suas pernotas, e ainda assim fazia um inesquecível e consgrado suingue.

Quantas pessoas iam no show dele só porque ele era anão eu não sei. De qualquer forma, foi sentado em seu piano de anão que Petrucciani encontrou um espaço em vida, e um lugar honroso na morte, ao ser enterrado ao lado de Frederic Chopin, no cemitério Pierre Lachese, em Paris.

Falar de anões é bastante complicado, porque eu não sou um deles e não sei, portanto, o quanto eles sofrem ou deixam de sofrer. Não querendo concluir meu pensamento com medo de ser injusto com eles, deixo para os leitores do Só Casando esse vídeo de dois cotocos lutando muai thai.

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5 Responses to Império de Anões

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  3. Edu Maretti disse:

    Cena do filme “Los Olvidados”, do mestre Luis Buñuel:

    Num cenário que retrata a miséria humana, um homem-toco (um anão sem as duas pernas) que transita pelas ruas montado num carrinho de rolimã, é abordado por um homem que lhe pede um cigarro.

    – Não dou cigarro pra vagabundo – diz o anão.

    Incontinênti e calmamente, o homem pega e levanta o anão, coloca-o no chão, e dá uma bicuda no carrinho de rolimã, que despenca ladeira abaixo, enquanto o anão fica ali sem pai nem mãe. Ou melhor, sem o carrinho de rolimã…

  4. Laura disse:

    Putz, estava crente que o post seria fechado com algo sobre o Nelson Ned, cara. O exemplo nanístico brasileiro.

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