Pensamentos que eu tive depois de ver a merda do Chico Xavier

Procura-se fantasma bonita e sem carisma que atende pelo nome de Letícia Sabatella

Quando a Xuxa revelou publicamente que ela acreditava em duendes, o Brasil inteiro pensou: “essa mulher está levando sua persona pública muito a sério ou será que ela é simplesmente uma retardada mental?”.

Você pode até se espantar com o ceticismo da população, mas vamos lembrar que estamos falando de pequenos seres escandinavos, barbudos e com poderes mágicos, que moram debaixo da terra ou dentro de cogumelos, e que adoram torturar crianças em troca de biscoitos.

Toda uma coisa difícil de engolir

Quando o assunto é gnomos ou saci-pererê, fica difícil encontrar algum ser humano que acredite na sua existência. Eventualmente, um indivíduo estúpido o bastante como a Xuxa se pronúncia a favor dessas criaturas, mas ainda bem que ninguém leva essa senhora a sério.

Por outro lado, quando falamos de Aliens malvados que invadem a Terra misteriosamente para abduzir uma pessoa sem o menor senso de realidade (afinal, pra que abduzir o Presidente dos EUA quando eu posso controlar a mente daquele texano desempregado e louco que mora dentro de um trailer?), uma parte de nós tende a acreditar na ladainha desenfreada. Se o tema é fantasmas e espíritos, então, é bem capaz que o sujeito ao seu lado não só acredite piamente neles, como também virá com uma história sem pé nem cabeça sobre o dia que ele viu a finada tia no espelho do banheiro enquanto ele fazia a barba. Como se um fantasma, capaz de vagar mundo a fora e ver uma infindade de coisas, fosse ficar de tocaia só para ver o sobrinho se barbear.

O que faz com que nós acreditemos nas qualidades mediúnicas de um cara como Chico Xavier? Bem, o fato de que os seres humanos são completamente ignorantes ajuda bastante. Além disso, fantasmas, ao contrário de duendes, abrem a possibilidade da vida após a morte, e do contato com entes queridos que já se foram, o que conforta a alma de qualquer um.

Por isso, nunca é demais lembrar que aquela velhinha adorável que cozinhava deliciosos bolinhos de chuva e que você chamava de “vovózinha querida” já virou há muito tempo um saco de poeira e ossos. Triste, mas basta juntar lé com cré para ver que essa afirmação é muito mais verdadeira do que a outra, mais instigante, que diz que sua vó atravessa paredes e flutua no ar desde aquele infarto fulminante.

Acreditar em fantasmas é um pouco como assistir Lost: um mundo de perguntas estúpidas sem respostas começam a tomar conta do seu dia-a-dia.

Por exemplo, porque ninguém nunca viu um espírito de um homem pervertido e fodido da cabeça rondando um vestiário feminino, em busca de peitolas a mostra? Esse não seria o primeiro lugar que um tarado iria depois de adquirir o poder da invisibilidade? Que espécies têm o privilégio da vida após a morte? Cachorros viram fantasmas? Macacos viram fantasmas? E amebas, elas viram fantasmas? Quando, no decorrer da evolução, um ser vivo começou a guardar um pequeno espectro dentro de si?

Como se dá a questão da densidade demográfica entre os fantasmas? Existe uma superpopulação de espíritos no Planeta Terra? Se eles transitam facilmente no espaço, porque as pessoas sempre vêem espíritos contextualizados, mas nunca um fantasma samurai tomando sol em Ipanema?

Quem viu o filme Chico Xavier de Daniel Filho irá contra-argumentar que o melhor amigo do maior médium brasileiro era um fantasminha de toga chamado Emmanuel (leia-se Emânuel), que muito provavelmente não é um brasileiro. Se de fato esse espírito existiu, onde e quando na História viveu um cara chamado Emânuel que andava na rua de toga? E se toga é o traje usual entre os fantasminhas, quando isso foi decidido no Além, e o que as pessoas usavam antes da sua invenção?

Emmanuel, obra de ficção ou vítima da moda? VOCÊ DECIDE!

É bem provável que essas e outras questões já brotaram em algum momento na sua cabeça. De fato, o número de perguntas evocadas pela crença do espiritismo é tão infinita quanto o poço de baboseiras que ela cavou.

Acreditar em fantasminha é demodé, estranho, absurdo. Mas sobretudo idiota.

Muito idiota.

"Eu é que o diga" - Gasparzinho, o fantasminha hidrocéfalo

27 respostas para Pensamentos que eu tive depois de ver a merda do Chico Xavier

  1. Alzira disse:

    Há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia! Não entendo muito de espiritismo mas algo existe, tanto que, em direito, cartas psicografadas podem servir como prova. Vou pesquisar para saber em que se baseia o sistema jurídico para aceitá-las.

  2. Raul Arthuso disse:

    Eu já vi fantasma e moro com um tal de Gnomo.

  3. pedro arantes disse:

    Cara, você pode até ter odiado o filme e fazer uma crítica a ele. E você pode, é claro, não acreditar em fantasmas. Mas seu post foi arrogante.
    Claro que esse é o seu blog, e você pode ser arrogante quando quiser. Mas essa postura sabe-tudo, ainda que divertida (eu me divirto com os seus posts), deixa a discussão no mesmo nível de quem, por acaso, acredite em fantasmas.
    Não que essa seja uma discussão muito promissora… Mas concordo com a Dona Alzira, há mais coisas entre o céu e a terra…
    E antes que você pense: não, eu não acredito em fantasmas.

    • Suza disse:

      Se eu tivesse feito um post sobre cientologia, você certamente não teria achado o post arrogante. Pense nisso antes de fazer comentários pseudo-relativistas, Pedrão. Um beijo.

    • Jasmin disse:

      Mas não, todo mundo tem um bom amigo cuja família bem educada é espírita e a avó é médium; se é assim, a gente tem que respeitar, né?

  4. Daniele disse:

    Antes de criticar, vc deveria se informar sobre o assunto. Garanto que se vc lesse algum livro espírita, entenderia mtas coisas. Mas se não quiser ler, td bem, o mundo já tem tanta gente preconceituosa e arrogante, um a mais não faria diferença.

    • Suza disse:

      Ler só um lado da moeda não te torna mais informada nem menos arrogante, Daniele. E já que estamos trocando dicas, sugiro este vídeo:

  5. Suza

    Não tire todas as suas conclusões a partir de um filme. Acho que você devia ler “As Vidas de Chico Xavier” (que inspirou o filme) e refletir sobre os fenômenos que o cercaram durante sua vida.

    Não sou espírita, mas creio que quem nunca leu sobre espiritismo não tem condição de falar bem ou mal dele. Creio que você queimou uma etapa importante nesse post.

    Ah, e muitas destas “infinitas perguntas” são respondidas em livros psicografados pelo Chico Xavier – mas claro, você acredita se quiser.

    Abs

  6. Jasmin disse:

    Pois eu acho que o Suza não precisa ler sobre o espiritismo coisa nenhuma se ele não quiser e pode ainda assim escrever o texto que ele bem entender, ainda mais quando o título do texto é “Pensamentos que eu tive depois de ver a merda do Chico Xavier”, ou seja, a apreensão que ele teve desse universo a partir do filme, que inclusive é feito para leigos. Mas não, o sujeito não pode mais falar que acha que esse negócio de espiritismo e de um mano de toga chamado Emmanuel cheira a incoerencia e delírio só por que ele não é PhD em Allan Kardec que ele vira arrogante e preconceituoso. Já viram alguém ser engraçado aceitando e desenvolvendo diplomáticamente todos os lados, razões e calos do seu assunto? Mas com religião não se brinca, não é mesmo?

  7. Jasmin disse:

    E me espanta a dimensão desse tabu so last century quando um cara crítico como o Pedro endossa esse senso comum. Um tabuzão de cristal protegido pela palavra respeito. Ah, vá.

  8. Lucas Keese disse:

    Zoar religiões é uma arte difícil… e necessária. Eis os mestres:

    http://www.southparkstudios.com/episodes/103933/ (mormons)

    http://www.southparkstudios.com/episodes/103804/ (cientologia)

    http://www.southparkstudios.com/episodes/103800/
    (ateus, sim, isso mesmo, rola uma zueira com os ateus)

    http://www.southparkstudios.com/episodes/220683/ (disney e os cristãos)

    http://www.southparkstudios.com/episodes/267114 (imagem proibida do maomé – esse é pra fuder geral. O episódio seguinte foi censurado nos EUA devido ao medo que a emissora teve do terrorismo islâmico achar “desrespeitoso” o uso do Maomé. reparem no que eles fazem com o Buda…)

    teu último post foi foda, jasmin. vale um south park

  9. Felippe disse:

    Que exagero hein? Já houve várias críticas unilaterais aqui nesse blog e ninguém nunca achou apressado. Nunca apareceu nenhum adorador de cinema “cult” xingando ninguém de preconceituoso (muito menos levando a sério seu xingamento), nem se rebelou contra os “vocês imbecis que não estudam cinema acham a pseudo-intelectualidade do Anti-Cristo a força do filme, quando nós sabemos que é por outro motivo” (veja bem, concordei com a maior parte do que foi escrito nesse post do Anti-Cristo, não se trata disso). Nem contra os vários “quem quer achar significado em um filme é um pseudo-intelectual, pois no cinema o que importa é a forma” (continuo concordano, dessa vez com algumas restrições). Enfim… Mas religião e política!… Uma coisa é discordar e discutir (bacana), outra é chamar de arrogante e usar argumnos de autoridade ué… A propósito, eu que também nunca li nada sobre espiritismo (e talvez nunca chegue a ler) também acho isso tudo um saco, e o que mais me irrita é a falta de crença dos espíritas na capacidade humana. Tudo, absolutamente tudo, tem que ter uma porra de um espírito por trás. Desde uma descoberta científica até o fato de seu filho ter passado no vestibular. Suas escohas amorosas, o acidente que matou sua mãe etc; tem sempre uma mãozinha transcendente tirando sua responsabilidade absoluta pela sua própria vida. Já eu acho muito mais libertador e promissor você acreditar que um ser humano dotado de cérebro é o único responsavel por seus próprios feitos e é o único que deve ser responsabilizado por qualquer coisa que faça. Não um carma, nem um espírito, nem um extraterrestre (uma vez uma doidona me disse que toda a física foi passada para nós por extraterrestres. Pirada? Tanto quanto os que acham que um espírito influencia o filho ter passado no vestibular – coitado do menino, se matou de estudar à toa!) nem nada. Meus exemplos podem ser exagerados, mas o cerne de todas essas crenças é esse: tirar o peso da responsabilidade do crente. Inclusive, eis um exercício bom para aqueles que acreditam nessas coisas: experimentem deixar de acreditar (mesmo de mentira) e pensar que a vida de vocês está apenas em sua mão. Com certeza farão muito mais coisas úteis. Se for errado, podem ficar tranquilos que depois de morrer descobrirão. Acreditar no homem é uma aposta certa; mesmo se houver espíritos ou ciganas ou videntes ou extraterrestres ou céu ou inferno, pensem bem: em que saber de sua existência será melhor do que viver acreditando em você? Se fizer isso, pode ficar tranquilo que vai ter um terreno no céu esperando por você (a não ser que deus ou esses espíritos sejam uns putas de uns narcisistas que necessitem ser amado e lembrados o tempo todo e, nesse caso, nem valeria a pena idolatrá-los). É isso. Soou meio auto-ajuda? Escrevi demais? Agora já era…

  10. Felippe disse:

    Já que o tom ficou meio exortativo (aha.) segura essa aí:
    “Dizeis que acreditais em Zaratustra? Mas que importa Zaratustra! Sois os meus crentes; ms que importam todos os crentes!
    Ainda não vos havíeis procurado a vós mesmos: então, me achastes. Assim fazem todos os crentes; por isso, valem tão pouco todas as crenças.
    Agora, eu vos mando perder-vos e achar-vos a vós mesmos; e somente depois que todos me tiverdes renegado, eu voltarei a vós.”
    Na minha edição do Zaratustra tá na página 105. Inté!

  11. Raul Arthuso disse:

    Tá todo mundo louco e dando importância pro que é irrelevante.
    Aliás, Suza, vc não se acha um pouco crente demais não? Ou acreditar na racionalidade como se ela fosse onipotente pode? (Dando uma de advogado do diabo…)

    • Suza disse:

      Raul posso não responder à sua pergunta leviana pra não cair nessa sua técnica rudimentar de argumentação e criar todo um novo apendice de baboseiras que esse post já iniciou com certos comentários alheios? É que deu uma preguiça…

      • Raul Arthuso disse:

        Minha pergunta não foi leviana, hahahahaha.
        O amigon veio citando Nietzsche, nada mais natural que, então, contestar um pouco a onipotencia do racionalismo…

  12. Raul Arthuso disse:

    Aliás, não sei quem é o autor mas: de crente e corintiano todo mundo tem um pouco.

  13. Felippe disse:

    Concordo que a discussão foi desnecessária dado o conteúdo do post, rsrs… Crente pode ser, mas corintiano não ô Raul!

  14. pedro arantes disse:

    Essa discussão não leva a lugar algum, mas vamos lá:
    Não acho que existam temas que sejam tabu, então podemos e devemos questionar as religiões.
    Sim, é verdade que todas as religiões envolvem algum tipo de charlatanismo, dogmas que você deve acreditar como pressupostos e dominação pela ignorância. São aspecto negativos que devem ser postos em dúvida.
    Dito isso, não falei que você foi arrogante porque tenho uma tia espírita ou porque “gente, cada um tem sua religião e devemos respeitar, né?”. E se o post fosse sobre cientologia você não deixaria de ser arrogante.
    A arrogância reside no fato de que você, com o seu modo de pensamento racional, materialista e ateu pretende ser o dono da verdade, saber o que existe e o que não existe, determinar o que é verdade ou mentira. Como se fosse possível a alguma forma de pensamento saber tudo, conhecer tudo. E principalmente, desprezando que possa existir algum tipo de conhecimento válido no pensamento religioso, ao dizer: “tudo isso é besteira de gente ignorante”. É basicamente o que o Raul falou muito melhor do que eu.
    Então não Jasmin, a discussão não é “so last century” e nem eu estou endossando o senso comum. Apenas acredito que existam outras formas de conhecimento que não a razão que também devem ser consideradas válidas, e talvez exista alguma validade no pensamento religioso, apesar de toda baboseira que já estamos cansados de saber. Nesse sentido, meu argumento é muito mais “next century” que o seu. E nesse sentido também que eu acho que a arrogância não cabe para uma discussão séria do tema (claro que o Suza não queria fazer uma discussão séria, foi só piada e eu que estou sendo chato. Mas eu ri com o post).
    Enfim, continuo com a Dona Alzira, há muito mais coisas entre o céu e a terra do que nossa razão elaborada é capaz de apreender. Apenas para dar um exemplo babaca que vai fazer todo o meu comentário parecer uma leviandade do senso comum, outro dia apareceu na imprensa um iogue indiano que dizia estar sem comer ou beber há 70 anos. Ioga, como se sabe, não é religião, e o velhinho podia muito bem ser um charlatão. Mas ele ficou uma semana em observação em um hospital indiano, sob a guarda do exército indiano, e ninguém soube dizer como o homem não teve uma síncope sem beber um único copo de água.
    Vocês podem dizer que estou misturando alhos com bugalhos mas não estou não, quero ver a sua razão explicar isso…

    • Suza disse:

      Que bom que você sabe julgar a seriedade de uma discussão, Pedro.
      Agora, só para botar lenha na fogueira desse papo ridículo, vamos lembrar que o contrário de um pensamento racional não é religião.
      E que religião peca exatamente onde ela poderia não pecar se fosse só uma “filosofia” ou “way of life”: ela obriga você a materializar o abstrato. Transformam metáforas em falsas verdades, então, você não acredita numa vida espiritual, mas sim em fantasminhas, céu, inferno, ou sei lá que caralhos.
      Você pode se dizer, por exemplo, um católico que lê a Bíblia simbolicamente, mas você estará errado, pois o catolicismo, assim como qualquer religião depende que você, de fato, acredite em Santos, Anjos, Diabos, que Deus criou o planeta a não sei quanto mil anos atrás, e que você nasceu junto com todos os outros bichos que já existiram no planeta.
      Você pode confrontar o pensamento racional, e eu acho super válido. Mas não me venha criar escolas criacionistas pra provar seu argumento. Isso é não entender nem o pensamento racional, nem o não racional.
      Dito isso, um beijo e te vejo sexta na Massa.

  15. JC disse:

    Polêmicas à parte, numa coisa o post está indiscutivelmente correto: Chico Xavier (o filme) É uma merda.

  16. Felippe disse:

    A racionalidade pode ser criticada justamente por ser essencialista, por achar que existe uma verdade indiscutível, todas coisas que necessitam de uma metafísica para existir. Criticar a racionalidade é adotar um ponto-de-vista imanente (isso seria nietzscheano, Raul), que definitivamente não é o ponto-de-vista da religião – esta é também metafísica e também transcendente. Aliás, o dogma da encarnação é um dos principais fundamentos epistemológicos da ciência (desenvolver isso aqui seria mais ridículo do que essa discusão)… Ok, inútil o debate, tb acho. Mas uma vez iniciado…

    Pontos positivos do pensamento religioso, no meu entender, são vários. Apenas o fato, por exemplo, de acreditar em algo de que não se tem provas é uma coisa ótima, anti-narcísica, mostra humildade, flexibilidade etc etc. Como dizem os cristãos, “aceitar o mistério”. Isso eu acho bonito. Mas criar toda uma pseudo-cientificidade para explicar com detalhes o “outro mundo”, pra mim é o oposto do tipo de fé que eu admiro… Mas isso é um ponto-de-vista pessoal, claro…

    Arrogante? Como a maioria dos posts desse blog. Talvez produto de uma perniciosa mistura entre ser paulista e formado em cinema. Mas eu gosto dos textos daqui. Aliás, esse tipo de humor meio irônico meio satírico precisa de um pouco de arrogância, a não ser que vc seja judeu e faça piada de si mesmo, daí só precisa culpa e auto-depreciação eheh…

    Mudando de assunto: nem vi o filme, mas Daniel Filho nunca dá em nada…

  17. Marijuana disse:

    Eu gostei muito do vídeo, o cara é muito engraçado. Ah, eu fui a única a tirar proveito do post de uma maneira positiva?😀

    Por que não esperamos pra ver o que acontece ao invés de perder nosso tempo precioso na Terra discutindo sobre isso? Teremos bastante tempo depois, ou não…

  18. Suza disse:

    Mais um pra galera:

  19. Luiz disse:

    Olá, perdoe a intromissão nesta discussão.
    A internet é um meio fantástico de liberdade de expressão, isso é indiscutível e é muito bom, eu acredito que a evolução se faz através do conflito de opostos, então permito-me tecer alguns comentários.

    No meu gosto, achei o filme bom, conta uma história de vida de amor e dedicação ao próximo únicas. Esqueçam por um momento a questão filosófica (sim, o espiritismo de Allan Kardec é simplesmente uma filosofia) já que a “religião” é a mesma das demais igrejas. Um brasileiro como poucos, um ser humano raro, de uma bondade e paciência imensas. Ajudou e ajuda materialmente milhões de pessoas no país, gerando recursos através de suas obras, sem nunca desfrutar de um mísero centavo. Só isso já vale o ingresso.

    E o espiritismo de Kardec esclarece de forma bem nítida que o ser humano é o grande responsável por cada uma de suas realizações, o livre-arbítrio de cada pessoa é o que sustenta suas decisões de forma íntrínseca a racionalidade de cada um. Nâo existe pessoa que possa responsabilizar outros espíritos por qualquer decisão que a mesma tenha tomado.

    E a questão do dogma, bem, lendo o material até o momento, não consegui identificar claramente um dogma no sentido tradicional de acreditar por fé, sem qualquer provas ou desprovida de qualquer fundamento racional. Kardec esclarece seu ponto de vista baseado na racionalidade científica (mas para tanto, seria necessário preciso ler sua obra, acessível para qualquer pessoa em linguagem muito simples e direta).

    Outro ponto claro na obra de Kardec, é que suas ações é que importam, amar ao próximo é o que importa e não a cor da sua pele ou a cor de sua roupa ou a religião ou a falta dela. Se você se declara materialista porém realiza diariamente ações de caridade ao próximo, isso é o que importa no fim de tudo. Budista, muçulmano, judeu, ateu, agnóstico, não interessa, amar ao próximo é o que importa.

    E amar ao próximo é exercer a tolerância com as opiniões alheias, é não ultrapassar no acostamento, é não furar filas, não estacionar em lugares proibidos, etc…

    Quanto à sétima arte, no meu gosto pessoal, como regra geral, cinema francês, cinema novo, Gláuber Rocha e assemelhados, são insuportáveis, intoleráveis, arrastados e insossos, mas é questão de gosto, respeito e admiro aqueles que apreciam.

    A produção do filme do Chico poderia ser melhor? Talvez, mas para mim a história e o exemplo de vida é o que conta neste caso.

    Por fim, a última encarnação de Emmanuel foi como o senador romano Publius Lentulus. O uso da toga é uma liberdade cinematográfica, eu acho que ele ficaria melhor com uma camisa do FLUMINENSE…

    Abraço

  20. fasd@nemligo.com disse:

    parabéns professor de Deus.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: