As 10 melhores séries de todos os tempos

E aí galera? Tão sabendo que no próximo domingo acaba Lost, né? Coitados de vocês, tantos anos se dedicando a uma série que simplesmente vai acabar… Mas nós do Só Casando pensamos numa maneira de amenizar essa dor da perda. E na boa: você não precisa ficar órfão de séries! A gente fez uma lista de melhores séries live action (nada de desenhinho animado) pra você alugar, baixar, ver na youtube ou na TV. Tá em ordem alfabética porque saiu briga na hora de fazer a ordem e o Raul acertou um cinzeiro no olho do Suza. Daí tivemos que fazer assim, sem primeiro e segundo lugar. Curte aí! Abraço Federal!!!

É. Já era! Parte pra outra.

Curb Your Enthusiasm, por Suza

Larry David, co-criador de Seinfeld, fez de Curb Your Enthusiasm um upgrade da famosa série dos anos 90. A premissa é a mesma: misturar quiproquós com uma dramaturgia autobiográfica. CYE, porém, toma a total liberdade de ser politicamente incorreto e dispensa as malditas risadas enlatadas do sitcom. Filmado em locação e com uma estética de mockumentary, CYE conta a vida de Larry depois de encher o cu de grana como produtor e roteirista de Seinfeld. O tema dá pano pra manga para reviravoltas inusitadas, com um toque genial e despojado de metalinguagem. Curb é nada menos do que uma obra-prima televisiva.

Deadwood, por Jasmin

Pra provar que existem americanos que conseguem olhar sua história de uma nova perspectiva assitam Deadwood, um faroeste baseado na construção de uma cidade -que existe de fato nos EUA, com personalidades conhecidas da história do faroeste-, na época ainda sem leis, que vão se erguendo junto com a cidade tanto em função da formação capitalista sustentada pelo exploração de ouro quando pelas incoerências e desejos de personagens tão ferozes e sedutores quanto distantes de um modelo pouco exigente de bom caráter. No entanto, o que é sem dúvida mais animal nessa série são os diálogos shakespearianos cujas frases, a cada cinco palavras, levam um “fuck” embutido e que carregam monólogos nos quais aqueles personagens tão duros revelam dilemas dignos de Hamlet e se dão enquanto o sujeito recebe um boquete de uma puta, conversa com uma cabeça de índio em decomposição ou limpa o sangue do chão do saloon. Além disso, a série tem o ator mais fodão de todos os tempos, o Ian McShane; assitam esse negócio aí em baixo e vão saber do que eu tô falando.

Família Soprano, por Raul

Se a gente pudesse reduzir o mundo dos seriados a apenas uma obra, seria Família Soprano. Ok, ok, parece um exagero. Será? Já foi dito que a série é uma espécie de “O Poderoso Chefão revisitado” e coloca o mafioso hollywoodiano na berlinda. Mas não é só isso. O que mais me empolga na série é que por trás dessa historiografia do filme de gângster, há um personagem comum: um pai de família com problemas no casamento de aparências, relacionando-se mal com os filhos e cujas amizades são tão profissionais quanto seus negócios. No fundo, é um homem solitário, inerte, deslocado num universo que vê mafiosos como galãs valentões e superpotentes, capazes de resolver tudo a bala. Tony Soprano, contudo, não sabe lidar com esse mundo de aparências. No fundo, Tony não sabe quem é: espera-se dele um chefão; ele é apenas um cara buscando uma vida melhor. Daí a depressão dele que o leva a um analista. A série é uma trajetória de autoconhecimento. E no meio desse mal-do-fim-do-século-XX, a máfia, que também já não é tudo aquilo que se espera dela. Parece prosaico, meus amigos. Nada disso. Tony Soprano somos nós: queremos ser – e esperam de nós – Corleones; somos, na realidade, apenas nós mesmos. E enquanto Tony se expõe e se conhece a cada episódio, nós vamos junto com ele.


House, por Raul

Muita gente reclama que House é uma daquelas séries que não é necessário ver inteira porque seu arco dramático é quase inexistente e seus episódios tem todos o mesmo formato. Aposto que essas pessoas viram menos de 30% de todos os seus episódios. Isso porque a grande questão em House não é a medicina nem os desafios racionais do personagem. House é uma série que trabalha o questionamento dos valores: cada episódio coloca em conflito a percepção que algum (ou alguns) dos personagens tem sobre um determinado aspecto da vida ou dos comportamentos humanos. Inclusive do próprio Gregory House (como foi essa 6ª Temporada): sua personalidade vai sendo pouco a pouco destrinchada e colocada em choque. O House que sempre pareceu um cara super-poderoso e pouco afeito a regras porque é um outsider vai se mostrando também um ser amargurado, meio infantil e inábil para lidar com as pessoas. Ele tem repulsa pelo contato também porque não sabe como lidar com o outro. Por isso, ele mesmo inventou sua “caixa de valores” para conseguir viver num mundo o qual ele não se encaixa. Como eu disse, é uma série sobre valores, quase filosófica: a razão, seus poderes e seus limites.

In Treatment, por Jasmin

Quando disseram que a dramaturgia constitui-se apenas através de ações dos personagens  não haviam ainda assistido In Treatment, série cuja realização me obriga a concordar uma máxima que andei escutando “o que constrói boa dramaturgia são as reações”. Dessa maneira caminha episódio a episódio da série: vertendo sua atenção completa durante trinta minutos através das reações únicas e saborosas de seus personagens rigorosamente construídos na falta de coerência inerente a qualquer bom personagem. Cada dia da semana um desses pacientes, constituídos de um elenco fantástico de rostos semi-conhecidos, são atendidos pelo psicanalista mais sexy de todos os tempos Dr. Paul Weston, o irlandês Gabriel Byrne, que por sua vez, no final da semana, também vira paciente – e podemos portanto empatizar  com um Paul que também é meio fudido da cabeça – de sua supervisora Gina, a senhora atriz Diane Wiest (lembram dela Na era do rádio ou Hanna e suas Irmãs?) culminando numa sexta-feira de duelo de titãs.

Acho difícil algo soar pior do que uma série de televisão que se passa inteiramente, em tempo real, durante uma sessão de análise, na sala do psicanalista. Aconteceu que num grande tour de force sustentado por dramaturgia consistente e atores de fuder, operou-se um milagre: uma bela obra audiovisual. Pode ser que seja isso, ou pode também ser que In Treatment evidencie que não há milagre nenhum, que são mais ou menos esses elementos que são necessários pra fazer uma parada dar certo. Nesse caso, uma parada ser foda.

Larica Total, por Nina

Gente, Larica Total é um programa de culinária que tem tudo a ver com o Só Casando. É culinária de verdade. Nada disso de Ana Maria Braga que já tá tudo cortadinho nuns potinhos lindos, exatamente como não é na vida real. Paulo Tiefenthaler faz receitas ótimas e simples com os ingredientes que estão à mão, com um jeito extrovertido, muito simpático e principalmente com muito humor. O cara é um gênio. Tá bom que ele é meio porco (não é tão bom ser porco e cozinhar assim) mas ele é muito engraçado mesmo e vale a pena. O bom é que todos os episódiso tão no youtube e são curtinhos (15 minutos), então não tem desculpa pra não ver.

Monty Python, por Suza

Quando o assunto é televisão, não existe melhor maneira de ser engraçado do que fazendo sketches: é rapido, prático e eficiente. O número de programas de sketches feitos na história são muitos, dentre eles, diria que uma porcentagem pequena são de fato boas. Dessa porcentagem, só um é realmente lendário, icônico, unânime: Monty Python and The Flying Circus. E embora os filmes do grupo sejam obras inesquecíveis, foi na série que eles transcenderam o humor britânico, com clássicos como Minister of Silly Walks, obra que nós do Só Casando consideramos o que há de mais fino na TV. Assim como os Beatles, Monty Python nada mais é do que uma trupe de ingleses canonizados, portanto, se você ainda não viu o programa deles tome vergonha na cara (seu merda) e trate de usar o Youtube para algo de preste: eu já avisei que nesse site NÃO TEM PORNOGRAFIA!

Seinfeld, por Nina

Acho que não tem ninguém que nunca viu um episódiozinho que fosse de Seinfeld e por isso não cabe a mim tentar descrever aqui o que é a série ou porque ela é genial. Até porque só assistindo pra saber. É interessante que Seinfeld, além de ser uma série com um humor genial que fala sobre nada, é uma série que não tem como explicar uma cena sem que ela esteja encadeada no resto do episódio inteiro. Experimente contar alguma cena de Seinfeld para alguém que não viu e perceba o sorrizinho sem graça que a pessoa faz, mas faça isso com uma outra pessoa que já viu o episódio e veja como ela ri histericamente! Está tudo interligado e isso torna tudo mais cativante e envolvente. Fora os personagens inesquecíveis que aparecem ao longo de todos os episódios e também os principais, com seus cacoetes e suas manias só deixam tudo melhor ainda. Sem sombra de dúvida Seinfeld é uma das melhores séries de humor de todos os tempos.

TV Pirata, por Raul

Muitas vezes eu vejo alguém se perguntando “algum dia Casseta & Planeta já foi bom ou eu é que era bobo?” Resposta: pode ser que você fosse bobo (e ainda seja, não vem ao caso), mas a verdade é que a turma do Casseta & Planeta já foi boa: quando escrevia o TV Pirata (junto com todo um pessoal bacana, como o Luis Fernando Veríssimo, o Laerte e o Glauco). A idéia é simples e velha: um programa de esquetes de humor. Uma das coisas interessantes era o elenco dream team de atores de comédia: Luis Fernando Guimarães, Pedro Cardoso, Regina Casé, Ney Latorraca, o deus Guilherme Karam, Marco Nanini, Pedro Paulo Rangel e, vá lá, Cláudia Raia. As paródias não eram meras reproduções da grade da Globo; invadiam a metalinguagem com muito senso crítico. Era um programa que se arriscava e não ficava apenas no nível da imitação. Como esquecer a TV Macho? E a novela Fogo no Rabo? E Barbosa? Nunca me esqueço do episódio “Quem Matou Barbosa?” talvez o mais metalingüístico da história da televisão brasileira, parodiando o sucesso de “Quem matou Odete Roitman?” para questionar o sucesso do próprio personagem da trupe. Fiquei tenso e depois tive dificuldades pra dormir pensando no que acabara de ver. Foi daquelas coisas inesquecíveis. Hoje talvez perdera a graça? Duvido.

The Wire, por Arthur

Policiais colocam uma escuta numa boca de fumo tentando prender um barão do tráfico de drogas. Parece comum, mas essa é a premissa de uma das melhores séries já feitas. Antes de The Wire, você nunca pensaria que a parte mais interessante de um conflito entre a polícia e os traficantes é descobrir toda a papelada, burocracia e as tensões de poder que existem por trás disso. Roteiros com uma porrada de personagens, uma porrada de tramas e uma porrada de diálogos geniais.

Tudo em The Wire é interligado, tudo faz parte de um todo que vai sendo construído aos poucos pelos personagens e por suas ações. Eles não respondem à trama. A trama responde à eles. Sem viradas mirabolantes tiradas da cartola, sem pirotecnia, apelação ou até valores de produção altos. The Wire é crua e não tenta ser agradável, não segura na sua mão e não mastiga a história pra você. Só por não tratar o espectador como um idiota, The Wire já seria demais. Mas por ter cenas como essa, The Wire é Foda.

16 respostas para As 10 melhores séries de todos os tempos

  1. Pedro Arantes disse:

    E Chaves? Faltou hein…
    (eu curto bastante Roma também, bem mais que Deadwood, no quesito “séries históricas”. Acho Deadwood meio enrolado demais, com todos aqueles diálogos complicadissimos e cheios de entrelinhas que um tosco do velho oeste jamais teria a capacidade de dizer. Mas entendo que essa posição seja discutivel) Mas Chaves faltou mesmo! beijos.

    • Raul Arthuso disse:

      Eu lutei por Chaves, mas como o Ed bem disse, foi uma batalha para chegar nessas dez.
      E Deadwood não tem nada de enrolado e é muito melhor que Roma, desculpe.

  2. Tom disse:

    House e não Twin Peaks é brincadeira.

    Metade dessas séries nem existiriam se não existisse Twin Peaks.

    • Raul Arthuso disse:

      Metade das séries de comédia do mundo não existiriam se não existisse I Love Lucy e nem por isso ela obrigatoriamente tem de constar na lista só pq o Sienfeld e o Curb estão. Genética não é nossa especialidade médica.

    • Suza disse:

      Não fosse por Nascimento de uma Nação 99% dos… OK APELEI!

  3. fefa disse:

    faltou, definitivamente, south park!!!!!!

  4. Daniel disse:

    Fuckin’ fuckity fuck.

  5. nina, uma vez chegamos na teoria de que pra gostar de seinfeld tem que assistir à primeira temporada… lembra??
    (de camisola na evelina…)

    • Nina disse:

      Putz, não lembro. Mas se a gente tava de camisola na Evelina acho que a gente podia tá falando bobagem… Não concordo mais com essa conclusão. =)

  6. Leandro disse:

    E Nip Tuck?

    Nossa, como série médica, House não chega nem no dedão da unha do pé de Nip Tuck.

    • Raul Arthuso disse:

      Você leu o texto direito? A parte em que eu falo “a grande questão em House não é a medicina nem os desafios racionais do personagem”??

  7. Leandro disse:

    Com Nip Tuck é a mesma coisa.

    A grande questão não é a medicina nem os desafios racionais dos personagens.

    Nip Tuck usa cirurgias plásticas para falar de uma sociedade desfigurada.

    Você já assistiu a algum episódio?

    • Suza disse:

      Eu achei um pouco forçado na época em que uma das mulheres tinha pinto e um dos médicos não tinha pinto. Foi mais ou menos nessa temporada que eu parei de assistir.

  8. Aninha disse:

    eu concordo mto com curb your enthusiasm, com todo o texto! é uma série sarcástica na medida certa! outra série mto boa, sarcástica, de um tom único, tb com um humor negro e nova é nurse jackie…q mostra pessoas com problemas reais, chatas, paranóicas, loucas, ambiciosas, viciadas…enfim… colocaria na minha lista e seria em primeiro lugar!!😉

  9. Guilherme disse:

    Tv Pirata é sacanagem…
    Cadê o Hermes? a grande familia??
    CHAVES!!!??
    Só tem gringo na lista de vcs…
    E ainda assim faltou the 70′ show.

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