Atari: Que bela bosta

Eu gostaria de fazer um pequeno experimento com você, leitor desse blog. Pare tudo o que você está fazendo, vai ser rápido!

Eu quero que você sente numa poltrona confortável, de preferência uma que recline. Acenda um incenso (se possível), desligue as luzes (se possível). Feche os olhos, inspire e expire. Preste atenção na sua respiração e tente imaginar a casa que você morava quando era criança. Lembre de como era passar a mão no carpete manchado da sala, lembre do cheiro de minâncora com naftalina que chegava sempre um pouco antes e saia sempre um pouco depois que sua vó vinha visitá-lo em casa.

Tente visualizar seu pai com uma câmera de vídeo filmando suas peripércias e mandando você falar algo bem bonitinho e gracioso. Lembre de você não falando nada de gracioso e seu pai, frustrado, quase gritando com você e sua mãe intervindo em sua defesa. Depois, lembre de como isso gerou uma discussão interminável entre os dois, sua mãe chorando no quarto e ligando pra amiga dela, seu pai enchendo a cara na sala. Lembre do divórcio, de como isso fez você ter que passar mais tempo na casa da sua vó, e como a casa dela tinha aquele mesmo cheiro de naftalina com minâncora que ela trazia pra sua casa, só que muito mais intenso e muito mais agressivo ao seu pequeno narizinho. Lembre de como você passou a associar esse cheiro com a palavra “morte” e lembre que, não muito tempo depois, sua vó, de fato, morreu.

Agora quero que você lembre mesmo é do seu primeiro video-game, um aparelho chamado Atari. Seu pai provavelmente comprou ele no Natal, e você pirou nos primeiros 5 minutos. Lembre dos momentos posteriores de tédio e frustração. Tente lembrar de como metade daqueles jogos eram inclusive imcompreensíveis, e como a maioria deles não tinha um final, o que só lhe causava uma série de angústias que provavelmente permaneceram eternamente na sua bagagem emocional.

É, minha gente, nostalgias a parte, o Atari era uma merda de video-game.

Você que é nerd o bastante pode argumentar que os jogos mais famosos de Atari foram emblemáticos e inovadores. Pitfall é o pai de Mario Bros e Enduro o vovô de Need For Speed. Mas será que isso basta?

Não, não basta.

Dado a precariedade do Atari, seus jogos eram quase sempre sem música. Os ruídos eram elementares, digitalizados, e por vezes assustadores. No caso de Enduro, o famoso jogo de corrida, tudo o que ouvíamos era o que parecia com um barulho de motor, mas que na verdade nada mais era do que um ruído branco, soando repetidamente no ouvido de jovens crianças, um verdadeiro fodedor de neurônios, esse barulho.

Era comum comprar um jogo de Atari que você não sabia nem por onde começar. Você ligava aquela merda na tv, e o que você via era uma tela bege com uns objetos coloridos e indecifráveis. Aí você apertava o botão desesperadamente, ás vezes nada acontecia e quando acontecia não dava pra entender porra nenhuma: o objetivo do jogo, o que aqueles desenhinhos representavam, quem (ou o quê) você controlava, tudo era um grande mistério. A solução era jogar o game no lixo e ir brincar no quintal.

Na boa que merda é essa

Outros jogos simplesmente não respeitavam sua inteligência. Em Pitfall, você andava de um lado pro outro numa selva de merda pulando lagos que sumiam e apareciam do nada, um femônemo facilmente discutível até mesmo para os mais urbanos dos seres humanos. Os escorpiões do jogo (que alguns chamavam de macaquinhos dada a precisão do desenho) era um inimigo a ser temido: gigante e impossível de ser pisoteado como na vida real. Se você encostava no escorpião você morria, mas se você fosse atropelado por uma tora de madeira que rolava horizontalmente num chão plano e sem declive, você simplesmente perdia um pouco da sua velocidade. Os crocodilos abriam e fechavam a boca num ritmo pré-estabelecido, e quando eles estavam de boca fechada era possível pular em cima deles e atravessar o lago. Mesmo quando o lago não tinha crocodilos, você morria afogado se caísse nele porque, aparentemente, você era um explorador de habitats selvagens que não se deu ao luxo de aprender a nadar.

A série de incongruências em Pitfall faz a gente reconsiderar nosso ódio pelo episódio final de Lost

Ao contrário do que você pode dizer sobre literatura ou artes plásticas, o mundo do video-game não tem espaço para saudosismos. Como ele depende estritamente de avanços tecnológicos, é realmente difícil sustentar a argumentação de que os jogos de antigamente eram melhores que os de hoje em dia.

Atualmente é possível recriar uma cidade inteira, fazer um puta jogo realista e fodido, mas também é possível simplesmente fazer um jogo mais simples, pixelado, mas contemplando e arrumando os defeitos de outrora. Esses jogos são facilmente encontrados nas interwebs, e aqui vai um ótimo exemplo.

Portanto, antes de você mandar seu Atari pro conserto, procure um jogo ou outro no Google, ou visite esse site aqui. Você vai economizar tempo, dinheiro, e não vai machucar a sua mão naquele joystick preto, borrachudo e obsceno.

O "Pau da Diversão" (tradução livre)

9 respostas para Atari: Que bela bosta

  1. Cauê disse:

    “Na boa que merda é essa”. Fez meu dia.

  2. Ruy disse:

    suza, sempre achei o atari uma gigantesca merda, obrigado. mas confesso que acho um saco esses jogos atuais e vou ilustrar isso com um exemplo:
    – Jogo de avião: o que se espera dele? que você escolha um avião e vooe, certo? errado. Você vai passar 40 minutos construindo uma bosta de um avião imaginário! porra, dá vontade de virar pro moleque e falar: meu filho, vai lá no canto bater umazinha que você ganha mais…

  3. Marcello disse:

    Cara, você disse tudo! Eu tenho 35 anos e joguei muito Atari (por falta de opção). Que merda! Uma vez eu peguei emprestado de um colega de escola o jogo Adventure, sem manual, sem nada. Não sei dizer como, mas consegui completar o jogo, decifrando sozinho o que tinha que fazer (tinha uns 11 anos na época).
    Um jogo simplesmente impossível era o Caçadores da Arca Perdida. Perdidos ficávamos nós, crianças, sem entender nada do que tínhamos que fazer naquela porcaria.
    Hoje, vejo meu filho jogando PS3 e imagino o que deverá vir por aí nos próximos anos.
    Valeu pela nostalgia. Abraço!

    • marcelo disse:

      Tenho 35 anos, e joguei muito atari, passei noites fazendo isso, hoje vejo isso como a invenção da tv, temos a de led 3D, top no momento, mais será que chegariamos a isso tudo sem a tv PB de válvula (que era muito quente)???? Hoje vejo as criticas de quem não viveu tudo isso (jovens até 25 anos), aceito pois eles não viveram aquela época…..mais crítica de quem viveu e compara a qualidade de hoje com a de 20 anos atrás, é pq não se casou e teve filhos como a maioria…e ficou fingindo que é macho e fl que tem filho só pra enganar (apesar que homo tbm faz filho) mais criticar a evolução do game é rídiculo.

  4. José Luiz disse:

    Cara, você teve uma infância muito infeliz.
    Sinto muito…

  5. Olha, concordo que os gráficos de antigamente (no caso, do Atari) não eram um exemplo de renderização, os sons eram muito “sintéticos” e que alguns jogos eram meio “insanos”, não fazendo muito sentido, mas sejamos coerentes: Não vejo muita mudança disto em relação aos jogos de hoje. Claro, as leis da física, até certo ponto, são respeitadas hoje em dia, na medida do possível, mas tem muito jogo maluco por aí, mesmo nos dias de hoje, que não fazem sentido. Eu gostava dos jogos de atari, entre eles estão alguns dos que foram citados aqui, e sinceramente, eram muito bacana na época. Quando estou sem absolutamente nada para fazer, me pego instalando algum emulador e matando a saudade destes jogos. Bom, um jogo só é interessante se você “entende” a regra do mesmo e se dispôe a jogar dentro destas regras, esse é o princípio da coisa. No mais, jogo é jogo, só isso.

  6. luiz disse:

    Mais merda que o Atari é esse artigo kkkk…quem escreveu não entende o mínimo de video-games e jogos de entretenimento

  7. sergio disse:

    hatari foi o começo de tudo,para se chegar aos dias de hoje nessa evolução toda,daqui alguns anos outras geração ira rir da tecnologia hoje.
    meu amigo o seu comentário que é uma merda ok

  8. Carlos Eduardo disse:

    O idiota que escreveu essa matéria não teve uma infância feliz, e é retardado, vivemos em um mundo de evolução, é claro que os gráficos de hoje são muito melhores que os de antigamente, mas daí dizer que o Atari era uma merda, vai tomar no meio do seu cú… Eu tive e adorava jogar, e não perdia meu tempo todo apenas com video-game, eu tinha infância, andava de bicicleta, de skate, jogava bola na rua, na chuva, brincava de pega-pega, esconde-esconde, tudo o que você pode imaginar e tenho muita, mas muita saudade da época do Atari… IDIOTA

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