Bark!, um latido musical

Imagina esse careca morando no quintal da sua casa, caminhando de quatro pela sala e fazendo cocô na calçada

Outro dia no cinema eu tive o desprazer de ver a propaganda de Bark!, Um Latido Musical, que conta a história de 6 cachorros que cantam e dançam no palco, causando desespero no espectador desavisado.

Talvez você ache precipitado de minha parte gongar com tanta veemência um espetáculo que eu nem vi. Por isso deixo aqui o vídeo-teaser de Bark!, Um Latido Musical, para que vocês vejam, vomitem um pouco, e não me acusem de leviandade.

Enquanto a Broadway passa por um momento inédito de crise financeira, aqui no Brasil a moda é, justamente, musicais sobre cachorros, gatos, ou então propagandas protagonizadas pelo Blue Man Group, uma trupe mambembe de americanos que se pintam de azul e ficam atolando o saco da galera com músicas compostas em tubos PVC.

O novo espetáculo do Blue Man Group entitulado "Crise de Diarréia" provocou aplausos fervorosos no teatro municipal de Chernobyl

Sendo o Brasil taxado (perjorativamente) de um país tão musical, me espanta o fato de que aqui a galera acha mais relevante copiar obras da gringa ao invés de produzir roteiros e canções originais ou, no mínimo, fazer um pouco mais do que uma tradução canhestra. Um musical que respeite nossa zona de domínio e, como recompensa, crie um espetáculo muito mais interessante: taí uma coisa que Bark!, Um Latido Musical, provavelmente não tem.

Guerra do Paraguai, o Musical, certamente seria uma merda tão grande quanto Bark!, só pra deixar claro que não é disso que eu estou falando.

Admirar um musical da Broadway é questão de gosto. Eu tendo a achar uma merda, tem gente que gosta. Musicais no cinema, quando as pessoas cantavam e dançavam de verdade e eram filmadas graciosamente pelo Vicent Minelli (ao contrário de estrupícios como Chicago), isso sim me deixa de bauduco.

Gostando ou não de um musical da Broadway, o negócio é que lá a coisa faz sentido. Lá, nos Estados Unidos, é normal uma pessoa passar a vida treinando para poder cantar e dançar com naturalidade e desenvoltura aquele estilo de música tocado na cadência do jazz hands. Cats tem tanto a ver com a cultura, linguajar e estilo de vida dos americanos assim como uma peça Kabuki tem a ver com os japas. E se você acha que a tendência é que uma peça Kabuki feita por brasileiros está fadada ao fracasso, pelo simples fato de que a gente não incorporou as manhas de manusear uma espada, cantar gritando e fazer umas caretas, não sei porque você poderia achar que não tem nada de errado em fazer uma versão tupiniquim de Bark!, Um Latido Musical.

Entre emular e adaptar existe um abismo enorme. Num, qualquer ser humano está fadado a se passar de trouxa e no outro somos especialmente bons, ou pelo menos é o que todo mundo sempre disse por aí. Por exemplo, em 1976, um italiano chamado Sergio Bardotti se juntou com um argentino chamado Luis Bacalov e juntos eles fizeram um musical bacana mas que permaneceu meio obscuro na Europa e só se tornou um grande sucesso no Brasil, ao ser adaptado pelo Chico Buarque. I Musicanti virou Os Saltimbancos, uma peça que divertiu crianças e emocionou adultos com o mote “unidos venceremos”:

9 respostas para Bark!, um latido musical

  1. Juésse disse:

    Bark! = Argh!

    Foi assustador, mesmo.
    E, só pra constar, eu e a Alice, sua respectiva, fizemos parte de uma remontagem pra lá de mambembe de CATS – o musical.
    Já faz tempo. Eu juro.

    • Raul Arthuso disse:

      Pego com as calças na mãos, hein, Suza?

    • Jasmin disse:

      Você acha mesmo que não foi a primeira coisa que eu contei sobre ela quando eles se conheceram? Ou seja, se eles estão juntos é apesar de mim, e de CATS, o musical.

      • Jasmin disse:

        Peraí, acho que quero dizer mais uma vez: CATS, o musical – somente três dias de apresentações no clube Alto de Pinheiros, não percam.

  2. Jasmin disse:

    Bom, apesar dessa pequena contradição, gostei bastante do texto

  3. Ricardo disse:

    Cara como voces sao idiotas … merda e pensar que ainda existem pessoas como voces e que infelizmente parecem jovens. Eu imagino esse bando de idiotas que sao voces pensando que sacaneando dessa maneira as coisas terao uma vida mais engracada. coitadinhos. Ed eu poderia dizer que voce e quase uma barbie malhada, e que acho uma merda essa sua postura que parece mais um gay de west hollywood tomando bomba para ficar forte. e seus outros companheiros nem sei como explicar todos uns babacas achando que falando mal das coisas a vida fica melhor. Assisti Bark varias vezes e acredite, ja que voce e daqueles que fala sem saber, a montagem brasileira nao tem nada a ver com as montagens Cats, My Fair Lady, O Rei e Eu que sao cpyright e tem que ser montado como la fora. Bark tem autenticidade e totalmente brasileiro. Voce deveria respeitar mais o trabalho desse grupo e pensar o quando eles batalharam para que voce pudesse assistir ao comercial deles no cinema.

    • Suza disse:

      O que eu acho que deixa a vida (infelizmente) mais engraçada é comentários como o seu.

      Se você realmente pensa, em são consciência, que o propósito de se ter um olhar crítico é tornar a vida mais divertida você de duas uma: ou não pensou no que disse e está tentando fazer uma ofensa dado ao fato de que esse texto te atingiu num nível pessoal, ou você simplesmente acredita nas merdas que você está destilando por aí e, bem, nesse caso, nem se dê ao trabalho de replicar esse meu comentário, já que a gente sabe que isso não vai dar em nada.

      Porque se você é contra o olhar crítico, ou é favor da relativização de todos os argumentos, se você REALMENTE ACHA NO FUNDO DA SUA ALMA que eu preciso ver Bark! pra falar mal dele, que realmente importa ou não nesse caso talento e suor dos atores desse espetáculo, então a gente tem um problema no próprio cerne da discussão que precede o quanto Bark! é ou não relevante no nosso dia-a-dia cultural.

      Eu tive dificuldades de entender o que no meu texto mostrou alguma semelhança de estilo com a de uma Barbie Malhada. Por favor explique o que você está querendo dizer se você quer ser minimamente compreensível, ou talvez seja eu que esteja ficando meio lerdo.

      “Autenticidade” e “Brasileiro” são dois termos que eu nem sequer cogitei usar no meu texto. Pois o que eu disse não é uma questão de ufanismo desenfreado e ignorante nem de originalidade burguesa e sem nexo. É tudo meramente uma questão de CONTEXTO, caro Ricardo, de fazer aquilo que nos é culturamente e socialmente pertinente e aquilo que, além de tudo, dominamos em termos formais, técnicos e de conteúdo, com o simples objetivo de fazer alguma coisa que preste. Não estou falando de colocar uma bola no pé, sacudir a poeira, dar a volta por cima, ser brasileiro e não desistir nunca, ou qualquer outra baboseira que a gente ouve por aí.

      Odeio tanto quanto você deve odiar (espero) aqueles núcleos pobres de novela brasileira com jargões do tipo “Stop Salgadinho” porque isso está muito além do ridículo suportável.

      Ou seja, discutir a relevância de Bark! (tendo visto ele ou não) é uma questão cultural e, por que não, política, mas nunca uma questão de nacionalismo.

      Para terminar, Ricardo, pouco importa para minhas opiniões (e nesse caso, também para suas, mesmo que você seja amigos dos caras que fizeram essa peça), o quanto eles “batalharam” para fazer o espetáculo. Se eu tivesse escrevendo um texto sobre “por a mão na massa”, e eu conhecesse esse pessoal, poderia usar (ou não) eles como exemplo. Mas meu texto não é sobre batalha, e batalha é o argumento mais fraco que você pode usar porque 1 – não tem nada a ver e 2 – mostra o quanto você não consegue discernir retórica, debate, com ofensas e méritos pessoais.

      Dessa forma, se realmente somos todos ignorantes (é o que eu costumo achar), o que eu posso dizer é que, neste caso, é a sua ignorância e não a minha que torna a disucssão pobre e leviana.

      Lambidas Caninas,
      Suza

      • Suza disse:

        Ed foudet, obviamente, eh um personagem fictício. Incapacidade de entender o que eh real e o que nao eh pode empobrecer discussões como esta mas deve ser muito bom para assistir bark! Um latido musical. Desde que você não trate o ator como um cachorro no fim do expediente, eh claro!

  4. Just desire to say your article is as astonishing.
    The clarity in your post is just excellent and i can assume you are an expert on this subject.
    Fine with your permission allow me to grab your feed to keep updated with forthcoming post.
    Thanks a million and please carry on the gratifying work.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: